No momento em que a Sauber anuncia que se tornará Alfa Romeo Racing para esta temporada, nada melhor falar do que foi o 2018 desta equipe, que voltou ao “Mundo Ferrari”….

Resumo

O Sauber C37 (fonte: sauberf1.com)

Carro : Sauber C37
Motor: Ferrari 062 Evo
Projetista : Jorg Zander
Pilotos: Charles Leclerc (Monaco) / Marcus Ericsson (Suécia)
Chefe de equipe : Frederic Vasseur
Posição no Campeonato : 8º lugar – 48 pontos

Os trabalhos no C37 foram iniciados relativamente cedo. Entretanto, o trabalho foi prejudicado pela indefinição quanto ao motor a ser usado. No início do ano, a então chefe de equipe Monisha Kaltenborn vinha costurando um acordo de fornecimento com a Honda, que já vinha em um período de grande turbulência com a McLaren.

Mas como as brigas entre ela e os controladores da equipe foram aumentando (o famigerado fundo LongBow, alegado por vários como um “testa de ferro” de Ericsson). As desavenças e as falta de bons resultados culminaram na saída de Kaltenborn e veio Frederic Vasseur (foto abaixo), ex-chefe de equipe da DAMS e Renault.

(fonte: sauberf1.com)

Vasseur veio com carta branca dos donos e logo descartou o acordo com a Honda. Quase imediatamente, foram iniciadas negociações com a Ferrari para renovação do acordo corrente. Inicialmente, foi acordado o fornecimento da unidade de potência atualizada, bem como câmbio e suspensão traseira.

Alfa Romeo e C37

Em 29 de novembro de 2017, em um anúncio no Museu da Alfa Romeo, foi apresentado com pompa e circunstância que a fábrica italiana, parte integrante do grupo FCA, seria a patrocinadora principal da equipe suíça. Neste dia, também foram anunciados os seus dois pilotos: Marcus Ericsson partiria para sua quarta temporada com a equipe e seria ladeado pelo então campeão da F2 e integrante da Academia Ferrari, o monegasgo Charles Leclerc.

Apresentação acordo Alfa Romeo em novembro/2017 e a dupla para 2018: Leclerc e Ericsson (fonte:sauberf1.com)

Quando apresentado, o C37 se mostrou muito além de uma cópia da Ferrari. Embora convencional em um sentido mais amplo, o carro trazia algumas soluções originais para o direcionamento do fluxo de ar e aproveitamento do Halo.

Mas nos testes iniciais em Barcelona, o desempenho foi bem discreto. O que suscitou comentários de que seria mais um ano de “rabeira”. Mas o discurso oficial era de que o carro tinha potencial e que com o passar da temporada, o verdadeiro potencial seria mostrado.

No Bahrein, Ericsson marcou os 2 primeiros pontos da equipe com um nono lugar graças a uma estratégia bem esperta da equipe. A equipe acabou mostrando nesta e nas corridas seguintes que, em corrida, os carros rendiam bem. Mas o grande salto veio mais à frente…

Em Baku, a Sauber pela primeira vez passava para o Q2 com a “promessa” Charles Leclerc. Largando em 14º e se aproveitando das condições malucas da corrida, combinado com um bom trabalho de box, o monegasgo obteve um impressionante 6º lugar.

O resultado veio dar uma injeção de ânimo na equipe, que vinha em um processo de reconstrução técnica com o apoio da Ferrari. Novos desenvolvimentos vinham sendo feitos no carro, embora o responsável pelo projeto, Jorg Zander, tenha sido demitido.

Logo após Monaco, foi anunciada a chegada de Simone Resta, um dos principais homens da Ferrari, para comandar a parte técnica da equipe. No Canadá, veio a evolução do motor Ferrari e a Sauber se transformou em uma participante do Q2, pelas mãos de Leclerc. O monegasgo conseguiu mais um ponto neste GP.

A crescida de produção

Na França, mais uma vez Leclerc mostrou seu talento e conseguiu colocar a Sauber 16 na oitava posição do grid, chegando em 10º, após ter feito as 5 primeiras voltas em 6º, se aproveitando da má largada de Vettel. Na Austria, pela primeira vez os dois carros chegaram nos pontos (Leclerc em 9º e Ericsson em 10º).

Neste momento, tornou-se aberta a conversa de que Leclerc seria titular da Ferrari. O caminho natural seria esse, ainda mais com o piloto sendo da academia italiana e o contrato de Kimi Raikkonen estava no fim. Se dizia que esta também seria a vontade de Sergio Marchionne, Presidente da Ferrari. E mais: um contrato já teria sido assinado.

Na Inglaterra, Leclerc conseguiu ir novamente para o Q3 (9º lugar). Mas tanto ele como Ericsson abandonaram. O desempenho se repetiu na Alemanha, mas quem chegou ao final foi o sueco, marcando mais dois pontos.

A esta altura, a Sauber já era tida como uma constante contenedora do meio do grid e já se garantia no Q2 com uma certa tranquilidade. Mas houve uma certa estagnada nos resultados, coincidindo com a morte de Sergio Marchionne.Tanto que novos pontos foram marcados somente em Singapura (9º lugar com Leclerc).

E antes de Singapura, Leclerc foi anunciado como piloto titular da Ferrari em 2019, como era o planejamento de Sergio Marchionne.

Um final animador

A nova versão do motor Ferrari veio na Russia, juntamente com um novo pacote aerodinâmico. A Sauber conseguiu pela primeira vez ficar no Q3 com seus dois carros e Leclerc conseguiu uma sétima posição. Aliás, o monegasgo conseguiu se posicionar no Q3 até o fim do ano, embora Ericsson tenha conseguido ficar em 7º no Brasil, à frente de seu companheiro.Mas mesmo assim, Leclerc obteve 3 sétimos lugares em sequencia.

A Sauber terminou 2018 em uma situação muito melhor do que começou. O investimento da Alfa Romeo permitiu uma grande reestruturação da equipe e se aproveitou. O resultado na pista poderia até ser melhor, mas serviu como uma boa base para os anos vindouros.

Perspectivas para 2019

E as perspectivas são positivas. Kimi Raikkonen foi confirmado como piloto por duas temporadas, juntamente com a vinda de Antonio Giovinazzi, italiano também piloto da Academia Ferrari e que era piloto de testes da equipe.

Como já se vaticinava em 2017 (ver texto aqui), a Sauber foi efetivamente transformada em “equipe B” da Ferrari ao se confirmar a assunção da equipe pela Alfa Romeo. Na última sexta, dia 01/02, foi anunciada a retirada do nome dos suíços, ficando agora somente Alfa Romeo Racing.

Embora a estrutura técnica e societária de mantenha, é um marco a saída da Sauber. Mesmo na época da BMW, ainda havia uma participação. Após 26 temporadas, os suíços conseguiram escrever seu nome na história da Fórmula 1. E agora é torcer para que os italianos mantenham seu envolvimento, pois é mais um garagista que se vai.

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