Dando continuidade à nossa análise das equipes em 2018, hoje vamos falar da Scuderia Toro Rosso.

Resumo:

  • Carro: Scuderia Toro Rosso STR13
  • Motor: Honda RA618H
  • Projetistas: James Key / Ben Mallock
  • Pilotos: Pierre Gasly (França) e Brendon Hartley (Nova Zelândia)
  • Chefe de Equipe: Franz Tost
  • Posição no campeonato: 9ª – 33 pontos
O belo STR13, que repetiu a pintura de 2017. (Reprodução: scuderiatororosso.redbull.com)

A ousada troca de motor

Em 2017, a Toro Rosso utilizou os motores Renault, assim como a Red Bull. Porém, com o anúncio de que a Mclaren deixaria a fracassada parceria com a Honda, os italianos decidiram apostar nos japoneses. Assim, a equipe seria a única no grid equipada com a unidade de potência nipônica, ainda em processo de adaptação na F1. Como parte do acordo geral, Carlos Sainz Jr. foi para a Renault por empréstimo, ainda em 2017.

Na época, o chefe de equipe Franz Tost ressaltou o otimismo da equipe com a troca. Na comunidade da Fórmula 1 não faltaram comparações e brincadeiras com a Mclaren. Caso a Toro Rosso superasse o time inglês com o motor Honda, a situação só iria piorar. Mas não foi o que de fato aconteceu, já que a Mclaren conseguiu se acertar minimamente com a Renault.

Por outro lado, a tentativa de sua equipe secundária com os japoneses serviu como teste para a Red Bull. Depois que a parceria de 12 anos com a Renault se encerrou, a equipe anunciou que correria com a Honda em 2019. Os austríacos prefiram o potencial mostrado em 2018 com a Toro Rosso do que a conturbada relação com os franceses.

Honda F1 History
O motor Honda utilizado pela Toro Rosso em 2018. (Fonte: scuderiatororosso.redbull.com)

Os substitutos viram titulares

Para os pilotos, 2017 fora um ano conturbado. Pierre Gasly e Brendon Hartley acabaram substituindo Sainz e Daniil Kvyat no fim da temporada. A situação de Kvyat com o programa de pilotos era complicada. Porém, ele ainda chegou a correr nos EUA, marcando um ponto. Contudo, a partir do México, Gasly e Hartley assumiram, mas sem conseguir nenhum resultado expressivo. Com o fim do ano, logo a Toro Rosso confirmou a dupla para 2018.

Gasly foi o campeão da GP2 em 2016 e o vice da Super Formula japonesa em 2017. Hartley, por sua vez, tinha no currículo uma vitória em Le Mans e o campeonato da WEC. Visto que o neo-zelandês teria que se readaptar aos monopostos, não havia muita expectativa de que ele batesse Gasly. O francês, estrela em ascensão do programa de pilotos da Red Bull, teve um 2018 muito melhor que o companheiro. Mesmo que disputando o posto de “estreante sensação” com Charles Leclerc, Gasly conseguiu uma promoção ao time principal. Enquanto isso, 2018 não rendeu para Hartley uma renovação de contrato, ficando de fora da F1 em 2019.

A dupla de pilotos da Toro Rosso em 2018. (Fonte: formula1.com)

Um ano de altos e baixos

Observando o retrospecto da parceria Mclaren-Honda, a grande preocupação da Toro Rosso com o motor seria a confiabilidade. Nos testes em Barcelona, indícios de que isso não seria problema, já que o STR13 foi um dos carros com mais quilometragem na pista. Em um certo momento, Gasly chegou a ficar cinco segundos atrás da Ferrari de Vettel, o carro mais rápido até então. Posto que o próprio piloto ressaltou a resistência do motor, a Toro Rosso não chegou desanimada na Austrália.

Contudo, um resultado nada animador veio em Melbourne. Gasly abandonou a prova e Hartley cruzou em último. Porém, logo na próxima corrida, o melhor resultado do ano. Gasly conseguiu um quarto lugar no Bahrein, se aproveitando de alguns abandonos. Enquanto isso, Hartley chegou em último novamente, uma dica de como seria a disputa  interna.

Na China, o pior pesadelo de uma equipe aconteceu. Os dois pilotos se chocaram, o que acabou em uma abandono para Hartley e um penúltimo lugar para Gasly, penalizado. O incidente derivou de uma tentativa de ultrapassagem do francês, que pensou que a equipe havia orientado o companheiro a deixá-lo passar. Hartley estava ciente da possibilidade da mudança de posições, mas apenas da saída da curva 14, e não na entrada, como tentou Gasly. Um erro de comunicação que cobrou seu preço.

Os dois carros acabaram de frente um para o outro no incidente da China. (Fonte: skysportsf1.com)

Gasly ainda conseguiu um sétimo lugar em Mônaco e um sexto na Húngria. A melhor posição de Hartley no ano foi um nono lugar, nos Estados Unidos. Na Áustria, um novo pacote aerodinâmico deixou muito a desejar. No meio do ano, a Mclaren anunciou a contratação do diretor técnico James Key. O que com certeza não contribuiu para um grande desenvolvimento da equipe no restante da temporada.

Mais acidentes e abandonos

De acordo com Franz Tost, a Toro Rosso gastou 2,3 milhões de euros em 2018 com reparos por causa de acidentes. Hartley abandonou sete vezes e Gasly quatro. Em uma corrida, DNF duplo: ambos voltaram à garagem na Rússia. Um problema no fluido de freios incapacitou os carros de continuarem na prova.

Dentro dessa contagem, destaque para o acidente que Romain Grosjean provocou logo na primeira volta na Espanha, que envolveu Gasly. Ou o impressionante toque de Hartley com Lance Stroll no Canadá. Já uma das batidas mais violentas do ano ocorreu no FP3 na Inglaterra, quando o neo-zelandês destruiu a traseira do carro. Na sua corrida em casa, Gasly também abandonou, tocando no começo da prova com o compatriota Esteban Ocon.

O estado do carro de Hartley após um grave acidente.(Fonte:m.f1reader.com)

A disputa interna em números

Pierre Gasly terminou o ano em 15º lugar no campeonato,com 29 pontos. Já Brendon Hartley terminou em 19º (superou apenas Sergey Sirotikin) com 4 pontos. Ou seja, Gasly marcou 88% dos pontos da equipe na temporada. O maior percentual de um piloto em 2018. Como já dito, esse quadro rendeu uma promoção para Gasly, e rua para Hartley.

Porém, não se trata de um massacre como o que Alonso promoveu sobre Vandoorne. Só para ilustrar, em classficação, o placar marca Gasly 13 x 6 Hartley. Em corrida, Gasly 12 x 7 Hartley. Gasly chegou no Top 10 cinco vezes, e Hartley três. Das dez corridas que ambos terminaram, Gasly chegou na frente seis vezes. Contudo, a diferença de tempo média em classificação não foi muito grande: vantagem de 0,119 segundos para o francês. Mesmo que Pierre tenha tido seus problemas durante o ano, a escolha da Red Bull por apostar nele sobre Brendon não foi tão difícil.

A seguir, um gráfico comparativo de pontos entre os dois. Gasly aparece em marrom e Hartley em azul.

Arte de autoria do site formula1.markwessel.com

Expectativas para 2019

A Toro Rosso foi a última equipe a anunciar seus dois pilotos para 2019. Na conturbada dança das cadeiras do ano passado, o primeiro nome a ser confirmado foi o de Daniil Kvyat. Sim, o torpedo russo está de volta à F1. Pela terceira vez. Com Gasly no lugar de Daniel Ricciardo no time principal, parece que a equipe guardou o nome de Kvyat justamente para momentos como esse.

No outro lado da garagem, ainda havia dúvida. A certeza era que não seria Hartley novamente. Assim, o nome do anglo-tailandês Alexander Albon começou a ser cotado. Nesse meio tempo, uma enorme lista de pilotos começou a ser especulada para o último assento a ser preenchido no grid. Porém, o nome do jovem terceiro colocado da F2, Albon, finalmente foi confirmado.

A equipe continuará equipada com o motor Honda, mas dessa vez acompanhada pela Red Bull. O teste com os motores foi um relativo sucesso, já que ambas as equipes agora apostam no potencial dos japoneses. Com o conhecimento acumulado, a experiência de Kvyat e o sangue novo de Albon, a Toro Rosso tem muita capacidade de alcançar melhores posições no meio do pelotão.

Alexander Albon é a grande aposta da Toro Rosso para 2019. (Fonte: formula1.com)
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