A temporada terminou e o 90Goals começa a retrospectiva da temporada 2018 da Fórmula 1. Um ano cheio de grandes momentos e que deve ser valorizado mais à frente.

A abordagem inicial será nas equipes. E começaremos com a “lanterninha” da classe: a Williams.

Resumo

  • Carro : Williams FW41
  • Motor: Mercedes M09 EQ Power+ 1.6 L
  • Projetistas : Paddy Lowe / Dirk de Beer
  • Pilotos: Lance Stroll (Canadá) / Sergey Sirotkin (Russia)
  • Chefe de equipe : Claire Williams
  • Posição no Campeonato : 10º lugar – 7 pontos
Williams FW41 (fonte: Williams F1)

A Williams veio para 2018 cheia de esperança. A equipe investiu alto remodelando sua equipe técnica, sendo o primeiro carro construído efetivamente por Paddy Lowe, vindo da Mercedes a peso de ouro (incluindo se transformar em acionista da equipe).

A aposta parecia boa: foi trazido o sul-africano Dirk de Beer, aerodinamicista experiente, com passagem por Lotus e Renault. Para completar os bons prospectos, mais um ano do uso da Unidade de Potência da Mercedes.

A grande interrogação ficava na dupla de pilotos. O canadense Lance Stroll ia para mais um ano como titular na equipe. O segundo posto foi definido às vésperas da apresentação do FW41. Após uma briga de foice entre Robert Kubica e Sergey Sirotkin, o russo levou a melhor.

Claro que os alegados 15 milhões de euros fizeram a diferença. Mas Sirotkin estava longe de ser um mero pagante, contando com um currículo digno na GP2. Kubica acabou sendo confirmado como piloto reserva e desenvolvimento. Além de contar com um piloto de mais experiência, era uma forma de cumprir o contrato com a Martini, que previa um piloto com mais de 25 anos.

Paddy Lowe, Claire Williams, Lance Stroll, Sergey Sirotkin e Robert Kubica no lançamento do FW41. Ainda havia esperança no ar… (fonte: WilliamsF1/Lat Images)

Caindo na real logo cedo

As esperanças se esvaneceram logo nos primeiros testes em Barcelona. A despeito das baixas temperaturas, a Williams brigou com a Sauber pelos últimos lugares na lista de tempos o tempo todo, mesmo quando Kubica esteve no comando. À esta altura, as sirenes começaram a soar….

E o tempo fechou mesmo em Melbourne, embora Lance Stroll tenha conseguido passar para o Q2. Mas a corrida foi para esquecer, com Sirotkin abandonando com 4 voltas e o canadense chegando em um longínquo 14º lugar…

A esta altura, uma nova reestruturação estava em curso. Em uma matéria na Autosport, Paddy Lowe deu a entender que estava gastando tanto tempo para ajustar e desenvolver os meios de desenvolver o carro do que melhorar o FW41 em si. Em maio, de Beer foi mandado embora.

Paddy Lowe: ainda buscando acertar a Williams (fonte:Williams F1)

O oitavo lugar de Stroll em Baku deu um certo alento. Mas a corrida seguinte foi outro banho de água fria: Kubica pilotou no TL1 e fez o melhor tempo do dia da equipe. Mas ficou no fim do grid da mesma forma e reclamando que o carro não tinha aderência alguma, mesmo usando compostos mais macios.

Tentando entender…

A partir de então, o objetivo da equipe foi tentar entender o que deu errado no carro. Uma das possibilidades mais prováveis é que a equipe de projetistas tentou ousar nas laterais e na parte traseira do carro, prejudicando a refrigeração da unidade de potência e impactando no arrasto. Além disso, se localizou uma falha de calibração no túnel de vento, o que levava à famosa desculpa da “falta de correlação” entre dados de pista e CFD.

Um carro alegórico? Não, é a Williams tentando ver se o carro funciona nos testes da Hungria, no meio do ano(fonte:formel1.de)

Em paralelo, a pressão feita por Lawrence Stroll, um dos acionistas e pai de Lance, para que a equipe aprofundasse os laços técnicos com a Mercedes, de modo a praticamente a se tornar um time B, foi aumentando. E foi uma semi-surpresa ao saber que os canadenses estavam no grupo que adquiriu o comando da Force India.

Enquanto isso, o fim do grid era o lugar das Williams. O ponto alto restante acabou sendo a chegada dupla dos pilotos aos pontos em Monza, fechando os dois últimos lugares pontuáveis. De resto, a solução foi tentar minimizar os problemas de um carro problemático. Claire Williams fez um desabafo

”Mesmo que tivéssemos o triplo do orçamento, não conseguiríamos consertar o FW41”

2018 foi ruim. Pode piorar?

A Williams encerrou a temporada na última colocação. Mostrou-se um time perdido organizacionalmente e tecnicamente. Tanto que não se pode botar toda a culpa nos pilotos pelo mau desempenho. Embora Lance Stroll tenha mostrado que tem um caso de amor com Baku, Sirotkin acabou sendo mais rápido do que seu companheiro ao longo do ano em classificações (12 a 9).

Sergey Sirotkin: uma inglória jornada. Merecia mais uma chance. (fonte:
Glenn Dunbar/Williams F1)

Para tentar quebrar a espiral decadente, fez o que se considera um “forte movimento”: trouxe uma nova esperança inglesa, o campeão da F2 desde ano, o inglês George Russell. E confirmou o polonês Robert Kubica como seu companheiro. As mudanças já eram esperadas, já que Stroll vai para a equipe onde seu pai é um dos donos e os apoiadores de Sirotkin tiraram parte dos fundos (motivados também pelas sanções europeias à Rússia).

Kubica e Russell: rezando para que a Williams acerte em 2019 (fonte:grandprix247.com)

Este site já vinha escrevendo que a Williams vinha passando por um processo de “apequenamento”. Por fim, terá sido 2018 o fundo do poço ou ainda há mais terra para escavar? Os fãs da Fórmula 1 querem sim ver a equipe de Grove disputando dignamente e não parecer caminhar com garbo e elegância para o precipício, tal qual uma quatrocentona falida que vende as últimas jóias para comprar caviar.

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