O ano começou e boa parte do público de Fórmula 1 aguarda com expectativa a apresentação dos carros e o início dos testes, previstos para começa dia 18 de fevereiro em Barcelona. Todos querem ter o cheiro e o gosto destes novos carros.

Falando em novos carros, já se sabe desde o meio do ano passado que a FIA e a FOM estipularam algumas mudanças já para esta temporada. Muita gente espera e a Fórmula 1 promete mudanças drásticas para 2021. Mas, visando aumentar o número de ultrapassagens e melhorar a competição, vieram em parte agora.

Mais ultrapassagens. É o que teremos em 2019 ? Pela FIA e FOM, sim. (fonte: Red Bull Pool Content)

O objetivo aqui não é só copiar, mas sim abordar os dois principais aspectos impactados para os carros da temporada 2019 e explicar a sua extensão:

PESO

Os carros da Fórmula 1 2019 serão mais pesados, ficando em 740kg. O peso mínimo já havia sido aumentado em 2018 para acomodar o acréscimo do Halo, ficando em 734kg. Para este ano, dois aspectos foram mudados:

  1. Combustível: Foi autorizado o aumento do peso utilizado de 105 para 110kg. Tal mudança veio no sentido de permitir uma maior liberdade aos pilotos para acelerar, já que não foram poucas vezes que os finais de corrida tornaram-se um verdadeiro passeio para chegar ao final por conta do consumo.
  2. Peso piloto: Esta foi uma boa notícia para os pilotos. Por conta das mudanças nas regras anteriormente, os pilotos foram obrigados a tornarem-se verdadeiros faquires para não baterem o peso mínimo e permitir às equipes ter maior liberdade para trabalhar com lastros.

Para este ano, a FIA estabeleceu um peso mínimo de 80kg por piloto, já com os equipamentos de segurança. Ou seja: pilotos que pesarem menos, deverão usar lastro para alcançar esta marca.

Os pilotos serão pesados na primeira etapa do ano para referência e poderão ser chamados a qualquer momento pela FIA para nova pesagem, para evitar “malandragem”. Em 1995, quando regras similares foram introduzidas, vários pilotos ganharam muito peso de uma temporada para a outra, de modo a ir emagrecendo posteriormente para dar uma margem às equipes trabalharem com os lastros…

Não é tão simples assim…

Mas a FIA, tentando cortar o pulo do gato, estabeleceu que o peso adicional a ser colocado para que os pilotos alcancem o peso mínimo deverá ser no cockpit, devidamente preso à célula de segurança e lacrado pelos fiscais (artigo 4.4 do regulamento técnico).

A distribuição dos demais lastros ficam a critério de cada equipe, respeitando os limites estabelecidos no regulamento.

Mas o interessante é: carro e piloto serão considerados separadamente. Entretanto, o peso de ambos, combinados, deverão chegar ao mínimo de 740kg.

Tais mudanças impactam na forma e na distribuição de peso. Por conta do aumento da capacidade de tanque e na alteração do centro de gravidade, muitos projetistas deverão optar por aumentar o entre-eixos dos carros.

AERODINÂMICA

Este é o ponto mais visível da mudança para este ano. Em princípio, mudanças radicais estavam previstas para 2021. Mas preocupados com a queda no número de ultrapassagens, FIA e FOM resolveram agir.

Em um esforço conjunto cada vez comum, a área técnica das duas organizações se juntaram para verificar maneiras de mudar a situação, sem realizar intervenções radicais.

A principal observação é que cada vez era difícil um carro fica atrás do outro por conta da turbulência gerada. Desta forma, se tornava difícil a manobra para a ultrapassagem (“pegar o vácuo”) e nem a asa móvel (DRS), introduzida para aumentar a velocidade e aumentar as ultrapassagens, dava jeito.

Comparativo dos projetos de 2018 e 2019 em projeção dos fluxos de ar em computador (CFD). O dito “ar sujo”, em amarelo, em tese é bem menos aparente no projeto deste ano. As partes em verde seriam os fluxos menos “perturbados” (fonte: FOM/Auto Motor und Sport)

Tal turbulência é gerada pelos inúmeros apêndices aerodinâmicos que os carros carregam. A medida que o tempo passa, cada vez mais vemos aletas, placas desviadoras, buracos, difusores e outros apêndices voltados para que os carros gerem cada vez mais pressão aerodinâmica e que o ar seja cada vez mais disciplinado a passar pela superfície do carro para gerar menos arrasto, com isso tendo mais velocidade.

O problema foi agravado com a introdução em 2017 do novo regulamento técnico, que tornou os carros mais largos e longos. Mesmo a introdução de mais áreas de uso da asa móvel nos circuitos não auxiliavam as ultrapassagens.

Eis as principais mudanças:

Dianteira
  1. Aumento do aerofólio de 1850mm para 2000mm;
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
  2. Deslocamento da asa inferior em 25mm para a extremidade do conjunto;
  3. Posicionamento da asa superior 20mm acima, alinhado com a deriva lateral, que também deve ser reta; e
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
  4. Diminuição de 5 para no máximo 2 do numero de aletas na parte de baixo da asa anterior e proibição na asa superior
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)

A preocupação maior dos projetistas é fazer uma asa que reduza o arrasto gerado pelos pneus dianteiros e garantir o direcionamento do fluxo de ar para o resto do carro, especialmente na parte de baixo.

Com estas mudanças, a asa dianteira fica maior, mas mais simplificada e com menos elementos. Assim, os projetistas teriam maior dificuldade para conseguir maximizar o ar para potencializar os efeitos dos difusores traseiros.

Estudo da Force India para 2019 nos testes da Hungria, em agosto (fonte: xpb/Auto Motor und Sport)
Dutos de freio

No intuito de reduzir ainda a turbulência gerada, as aletas nos dutos de freio foram proibidas. Neste sentido, também foi confirmada a proibição de qualquer sistema ou solução que use o calor gerado pelos freios para melhorar o desempenho. Desta forma, a famosa “roda soprada” da Mercedes foi oficialmente barrada, após a “ilegalidade limitada” dita pela FIA, bem como os “eixos soprados” da Ferrari….

(fonte:F1.com/Giorgio Piola)
(fonte:F1.com/Giorgio Piola)
Aletas Laterais

As aletas laterais, também chamadas de “bargeboards”, também foram mexidas. Tiveram 15cm de sua altura reduzida e seu comprimento extendido em 10cm.

(fonte:F1.com/Giorgio Piola)
(fonte:F1.com/Giorgio Piola)
Traseira

As asas traseiras também receberam atenção especial.

  1. Fim dos cortes horizontais nas laterais
  2. Aumento da largura em 10 cm e altura e da profundidade em 7cm
    Comparativo asa traseira (fonte: f1.com/Giorgio Piola)
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
  3. Abertura da asa móvel (DRS) aumentada de 65mm para 85mm
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)
    (fonte:F1.com/Giorgio Piola)

Mais mudanças no sentido de diminuir a turbulência gerada e facilitar que o carro que esteja na parte de trás tenha mais facilidade de conseguir a ultrapassagem. Outro fator é a mudança na asa móvel para diminuir mais o arrasto (estima-se em um aumento de 25% a 30%).

Comparativo asa traseira 2018 x 2019 (fonte:F1.com/Giorgio Piola)

Outro aspecto é que com um aerofólio traseiro maior e com uma dianteira mais simples, em tese o difusor traseiro perde tanta importância. Se este aspecto for considerado de maneira superficial, a maior prejudicada seria a Red Bull, pois usa uma filosofia de uma traseira mais inclinada (o chamado “rake”) para potencializar o efeito do difusor.

Red Bull RB14 e o “rake” agressivo (fonte: Red Bull Pool Content)

Muda tudo para continuar a mesma coisa?

A estimativa do corpo técnico da FOM e da FIA seria a perda de 20% da carga aerodinâmica em relação a 2018 e permitir mais ultrapassagens pela redução da turbulência e do chamado “ar sujo”. Em princípio, os carros ficariam mais lentos.

Entretanto, chegam muitas informações de que as equipes já conseguiram recuperar a perda inicial estimada. Junte-se isso a motores mais potentes e novos compostos feitos pela Pirelli, talvez vejamos um ritmo bem próximo ao visto em 2018. Ou até mais rápidos.

Por este motivo, muitos observadores acreditam que, embora cheia de boas intenções, as mudanças não surtirão o efeito desejado.

Estas e outras perguntas começarão a ser respondidas em 18 de fevereiro, no primeiro dia de testes da pré-temporada, em Barcelona

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