Hoje é dia sim de reverenciar.  Emerson Fittipaldi completa 72 anos sendo considerado o “precursor” brasileiro na Fórmula-1, embora não queira carregar este peso (o que não é errado, pois antes tivemos Chico Landi, Frtiz D’Orey e Hermano João da Silva Ramos).

Emerson não era um dos pilotos extremamente “espetaculosos”. Sempre foi tido como um piloto mais cerebral, embora fosse agressivo quando necessário. Esta foi uma característica que sempre o acompanhou e o levou a ganhar títulos no Brasil e no restante do mundo.

Uma vida devotada à velocidade

Emerson começou cedo a correr (inicialmente nas motos!) e foi seguir seu irmão Wilson Jr, o Wilsinho, nos carros. Inspirados pelo pai Wilson, radialista envolvido até a medula com o automobilismo, ambos foram para as pistas e não satisfeitos em correr, também fabricaram karts e carros (Fitti-Vê, Fusca de 2 motores, Fitti-Porsche….)

O Brasil ficou pequeno e lá foi ele para a Inglaterra em 1969. Em uma subida impressionante, saiu da Fórmula Ford para a Fórmula 1 em um ano e meio (um precursor de Max Verstappen, dirão alguns), logo assumindo o posto de segundo piloto na Lotus, então uma das melhores equipes da categoria. E venceu seu primeiro GP pouco mais de 3 meses após a sua estreia.

Colin Chapman prestou atenção em seu desempenho desde a Fórmula 3, quando foi um dos poucos a andar (bem) com seu carro. E foi dando chances ao brasileiro. Com a morte de Jochen Rindt, confiou no brasileiro em 1972 e ganhou o campeonato neste ano, sendo por muitos anos o mais jovem a vencer o campeonato de Fórmula 1 (foi batido somente por Fernando Alonso em 2005).

Emerson comemorando a vitória em Monza e o campeonato em 1972 (fonte: pinterest)

Após um vice-campeonato em 1973 ainda na Lotus e se achar preterido, Emerson fechou acordo um acordo de patrocínio com a Phillip Morris (Marlboro) e escolheu ir para a McLaren. Em 1974, venceu seu segundo campeonato e no ano seguinte, obteve mais um vice-campeonato, lutando contra um imparável Niki Lauda, então na Ferrari.

A luta por um sonho

Imaginem hoje Lewis Hamilton deixando a Mercedes para se juntar a uma equipe pequena inglesa. Pois é, foi o que aconteceu.

No final de 1975, enredado em uma custosa negociação para renovação de contrato com a McLaren, Emerson aceita se juntar ao seu irmão Wilsinho no projeto da equipe Fittipaldi de Fórmula 1, que havia estreado naquele ano.

Ingo Hoffmann, Emerson e Wilsinho na apresentação do FD-04 (fonte: pordentrodosboxes.blogspot.com.br)

Por 5 temporadas (1976 a 1980), Emerson tentou fazer as coisas funcionarem. E por momentos, parecia que conseguiria. Especialmente em 1978, quando obteve sua melhor campanha, tendo o 2º lugar no Brasil como ponto alto. Mas vários aspectos impactaram para que não desse certo. Em Watkins Glen, 10 anos depois de sua primeira vitória, Emerson deixava pela primeira vez a carreira de piloto.

Despedida melancólica em Watkins Glen (fonte: contosdaf1.wordpress.com)

Ainda tentou tocar a equipe por duas temporadas. Mas sem dinheiro e cheio de dívidas, a equipe fechou em 1982. Entretanto, como gasolina corre em suas veias, Emerson correu de SuperKart em São Paulo e o “bichinho” voltou a morder.

O “renascimento”

Em 1984, surge o convite da inglesa Spirit para testar o seu carro em Jacarepaguá. Com ele, a possibilidade de voltar. O campeão andou por dois dias(inclusive dividindo a pista com Ayrton Senna em um deles), diz que o carro não é competitivo e não aceita.

Senna e Emerson nos testes pré-temporada de 1984 (fonte:contosdaf1.wordpress.com)

No mesmo ano, recebe um convite para correr nos Estados Unidos para uma prova de Turismo. Tem um bom desempenho, mas abandona a prova. Em seguida, aparece a chance de correr na Formula Indy. E faz sua estreia em Long Beach, pista de rua, chegando em 5º lugar.

Um discreto March rosa na estreia nos EUA… (fonte: terceirotempo.uol.com.br)

O que parecia algo passageiro, se transformou em definitivo: Emerson fez o resto do campeonato e em 1985, ganha sua primeira corrida na categoria no oval de Michigan. Logo, se torna um dos principais pilotos da Fórmula Indy (ou CART) e abre mais um flanco para pilotos brasileiros. Em 1989, vence as 500 Milhas de Indianápolis e o campeonato.

1989: a primeira de Emerson em Indianápolis (fonte: blogdovitorprates.com.br)

Ainda venceria a mesma prova em 1993 e obteria mais um vice-campeonato naquele ano. Após muita luta, trouxe a categoria para o Brasil em 1996, realizando corrida em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Naquele ano, um aparatoso acidente em Michigan, mesma pista onde venceu pela primeira vez, quase tira sua vida e o fez definitivamente pendurar o capacete. Mas não se afastou do automobilismo, inclusive sendo chefe de equipe na finada A1GP. Algumas vezes, fez umas ”brincadeiras” ao volante, como a corrida inaugural da GP Masters e a participação nas 6 Horas de São Paulo em 2014, prova também organizada por ele.

Grazie, “Rato!”

Embora nos últimos tempos tenha aparecido mais por seus problemas empresariais e posições políticas (apoiou abertamente Jair Bolsonaro durante as eleições) do que por seus feitos, Emerson Fittipaldi deve sempre ser lembrado e exaltado pelo que fez nas pistas. Por fim o automobilismo nacional deve muito a ele e ao restante da família.

Obrigado, Emerson! Seja uma das grandes ancoras da família, junto com seu irmão Wilson Jr. Família esta que nos deu Christian e “ataca” agora com Pietro, Enzo e o pequeno Emerson, filho mais novo e que já compete no kart nos Estados Unidos.

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