Um ano da maior tragédia já sofrida pelo nosso futebol

Pedro Bial em uma de suas crônicas descreveu a morte como uma piada sem graça, onde você faz planos e planos e tudo termina em um piscar de olhos. Tudo chega ao fim sem pelo menos deixar você se despedir de seus familiares, amigos, tudo chega ao fim sem mais e sem menos.

Foi isso que aconteceu na madrugada do dia 29 de novembro de 2016, a morte pregou mais uma de suas peripécias. O avião que transportava a delegação da Chapecoense e a imprensa que cobriria a partida em loco caiu em solo colombiano a poucos quilômetros do seu destino final.

O Brasil acordou perplexo com as informações que vinham da Colômbia, ainda sem querer acreditar e torcendo ser apenas mais uma brincadeira de mau gosto, mas infelizmente não era. A lista de sobreviventes diminuía a cada atualização de informação e foi finalizada com quatro guerreiros, o jornalista Rafael Henzel, e os jogadores Jackson Follman, Neto e Alan Ruschel, um verdadeiro milagre divino.

Aqueles homens que estávamos acostumados a ver todas as quartas e domingos dentro de campo, não veríamos mais. As vozes emocionadas a cada narração e grito de gol não ouviríamos mais. As brincadeiras a cada programa ou mesa redonda que participassem, não seriam mais ouvidas. A escolha minuciosa da melhor imagem para nós telespectadores ficou um pouco cinzenta.

Aqueles homens fizeram história não só pela Chapecoense, e sim pelo futebol. Homens que se transformavam em heróis com a vestimenta verde e branca. Homens que se transformavam em heróis dentro do campo. Mas que fora dele eram meninos como qualquer outro, com sonhos e objetivos a serem alcançados. E o principal deles era a conquista da taça sul-americana. Mais um título para a história do futebol brasileiro e o primeiro titulo internacional na história da Chape.

Trajetória

Pelo caminho a Chapecoense já havia vencido o Cuiabá. O Independiente da Argentina nos pênaltis. O Junior Barranquilla e por fim a classificação diante do San Lorenzo para a grande final contra o Atletico Nacional de Medellín.

Este último jogo diante do San Lorenzo merece um capitulo especial. Aos 48 minutos do segundo tempo a partida continuava em um teimoso e saboroso empate em 0x0, com este resultado a Chapecoense se encaminhava para a final devido ao empate em 1×1 na Argentina, nesse momento algo que poderia ter mudado a história que descrevo nesse texto. Em uma cobrança de falta a bola foi lançada para a área e depois de um bate rebate a bola sobrou para Blandi, livre de marcação e dentro da pequena área, era um gol consumado, mas o Danilo salvou com o pé direito.

Defesa de Danilo frente a Blandi nas semifinais da copa Sulamericana (FOTO / NELSON ALMEIDA)

O que aprendemos?

Um ano se passou daquele momento até hoje. E sabendo o que ocorreu depois daquele jogo o sentimento e o pensamento é o mesmo. Aquela bola poderia ter entrado, ficaríamos tristes? Claro, era a oportunidade de vermos os guerreiros de Chapecó em uma final continental, mas nada é pior que a dor da perda, não do titulo e sim das vidas perdidas naquele voo.

O minuto de silencio foi enfim respeitado no futebol brasileiro, foi assim no jogo entre Grêmio x Atlético Mineiro, a primeira partida oficial após o acidente aéreo, e também foi assim em todas as partidas na ultima rodada do nacional. O coro de “VAMO, VAMO CHAPE ganharam as arquibancadas de todo o Brasil, as homenagens e os gestos de solidariedade que vinham de todo o mundo só nos relembrava que a rivalidade fica dentro das quatros linhas.

Minuto de silêncio na final da copa do Brasil

Nessa semana completa um ano daquela terça-feira sombria e triste. Há um ano estávamos recebendo as tristes noticias e torcendo pela recuperação dos sobreviventes. Há um ano mudamos de uma alegria exorbitante com a defesa do Danilo, para a tristeza profunda com a noticia do acidente. Há um ano aumentamos o coro do “VAMO, VAMO CHAPE” em respeito a todos os guerreiros que deixaram literalmente a vida no futebol.

Homenagem no clássico Barcelona x Real Madrid

Para finalizar, segue abaixo uma homenagem do Gustavo Villani (narrador da Fox Sports) aos seus amigos de trabalho.

“A morte dos seis amigos e companheiros do Fox Sports foi a maior lição de vida que tive nos meus quase 37 anos de existência. Da pior maneira, com muita dor, perplexidade.

Entendi alguns significados: o valor da amizade, o amor à vida, a importância de vivermos tudo que é possível da maneira mais intensa. Perder tempo e esforço com bobagem não vale a pena.

Aprendi que somos vulneráveis, e tudo que fazemos nesse sopro de vida só faz mesmo sentido se for conduzido com amor. É a semente que eles deixaram.

Penso muito neles, várias vezes. São as melhores memórias. Serei eternamente grato a cada um, para sempre.

Obrigado, PJ, Vitu, Jumelo, Marião, Deva e Rodrigo!”

 

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6 COMENTÁRIOS

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