2019 começou há alguns dias e muitos de nós ainda estamos fazendo nossos planos para o “novo ano”. Quantas resoluções de ano novo fizemos? Algumas já ficaram nas águas de Copacabana, outras no primeiro estresse de janeiro, outras ainda permanecem. Há quem trate isso como superstição e há quem use isso como motivação pra mudar aquilo que não foi bom no ano anterior.

(Foto: Lucas Landau)

O fato é que a passagem de ano sempre traz um momento (por mínimo que seja) de reflexão e avaliação. O Botafogo, nosso assunto principal aqui, teve muita coisa pra refletir, avaliar e tentar melhorar quando falamos do ano passado. 2019 não pode ser um ano de trapalhadas no planejamento, caos administrativo e irresponsabilidade financeira.

Por mais que estejamos carentes de grandes conquistas, o nosso Botafogo tem sua existência constantemente ameaçada pelo imediatismo e ao mesmo tempo pelo atraso do grupo que o gere.

Ano de dificuldades

As notícias envolvendo uma aproximação dos irmãos Moreira Salles deixou a torcida alvinegra em festa. A possibilidade de profissionalização do futebol do clube fez com que muita gente esquecesse a atual realidade do Botafogo.

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a questão dos Moreira Salles não é tão simples e rápida assim. Todos já sabemos que há um estudo com o intuito de identificar os melhores caminhos para a profissionalização do futebol. A previsão para o término desse estudo é para março.

Os irmãos Moreira Salles são vistos como a salvação do clube em 2019 (Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo)
Os irmãos Moreira Salles são vistos como a salvação do clube em 2019 (Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo)

Concluído o estudo, há todo um trâmite burocrático. Uma proposta precisa ser elaborada, mudanças no estatuto são necessárias e tudo isso demanda tempo. Ou seja, a mudança de fato não está tão perto como imaginamos. Claro que está mais próxima que em anos anteriores, porém por mais que isso seja talvez a única salvação para um clube falido como o nosso, precisamos focar em como sobreviveremos até lá.

2019 não se mostra como um ano de otimismo nas finanças, muito menos administrativamente. O trabalho para que isso não interfira no campo será dificílimo.

Cadê o orçamento?

O orçamento financeiro está um passo antes do planejamento financeiro. Nele a empresa, ou o clube, no caso, estima os valores que serão gastos e recebidos em um período futuro. Obviamente algumas receitas variáveis são mais difíceis de estimar, mas com um orçamento bem feito, amarradinho, dentro da realidade a possibilidade de surpresas é imensamente menor.

Sendo assim, o orçamento do ano de 2019 deveria estar pronto ao fim de 2018, certo? Porém no Botafogo as coisas não funcionam assim. A desculpa é que como a permanência na série A não estava assegurada, isso não permitia ter uma noção exata das receitas para este ano. Vale lembrar que o clube não se salvou do rebaixamento na última rodada. O Vasco (que se salvou apenas na última rodada), por exemplo já aprovou seu orçamento para 2019.

A diretoria tentará aprovar o orçamento na reunião do Conselho deliberativo, no dia 24 de janeiro (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
A diretoria tentará aprovar o orçamento na reunião do Conselho deliberativo, no dia 24 de janeiro (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

Foi até apresentada ao Conselho Fiscal uma proposta de orçamento. Só que era completamente fora da realidade. A previsão de arrecadação com vendas de atletas era bizarra (pra não dizer mentirosa), uma peça de ficção da pior qualidade.

Há uma expectativa para a aprovação de uma nova proposta de orçamento no dia 24 de janeiro, na primeira reunião do Conselho Deliberativo no ano. O Conselho fiscal ainda não emitiu nenhum parecer sobre a nova proposta apresentada.

Cadê o planejamento?

Se o orçamento financeiro ainda não está aprovado, como fazer um planejamento? O primeiro é um passo essencial para a implementação do segundo. E um clube extremamente endividado e com limitações de receitas como o Botafogo não pode andar um milímetro sem planejá-lo.

No texto “Planejamento, o importante, o urgente, prioridades e o Botafogo que escrevi há cerca de 5 meses, abordei que a falta de planejamento faz com que tudo no clube vire urgência. Dirigentes recorrentemente se encontram em uma situação onde não tempo para decidir de maneira racional e cuidadosa.

Como desenvolver estratégias programadas para atingir um objetivo se não se sabe quias são os recursos disponíveis? O Botafogo viverá apagando incêndios (Não é um trocadilho) se permanecer tratando seus dias, semanas, meses e anos de maneira irresponsável.

Um erro atropela o outro e assim segue o Botafogo, para um 2019 de improvisos, não tendo nem ainda definido o técnico para o campeonato brasileiro, ou um patrocinador Master, esperando por um salvador que o tire da miséria que ele mesmo cria.

O calor dos atrasos de salário será um fantasma em 2019 (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)
O calor dos atrasos de salário será um fantasma em 2019 (Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

2019 no campo

No fim de 2017 e após o título carioca eu escrevi que o principal objetivo do Botafogo em 2018 seria escapar do rebaixamento. As evidências mostravam isso. No fim de 2017 já sabíamos que teríamos receitas limitadas no ano seguinte e após o título carioca, com tudo que já tinha acontecido no ano, e com a inconstância do time fechavam a conta de um time com problemas.

Quem é quem no Botafogo no ano de 2017- Parte 2

Botafogo da água pro vinho, das tripas coração

A expectativa dentro de campo para 2019 não me parece ser diferente. O elenco não é farto. O Botafogo perdeu alguns jogadores importantes como Igor Rabello e Matheus Fernandes, além da aposentadoria de Jefferson. O clube até trouxe alguns reforços. Diego Cavalieri, Alan Santos e Alex Santana foram movimentações inteligentes no mercado, mas o elenco ainda tem carências. Há uma expectativa exagerada pela volta de Erik. Ele na minha visão não mudará o patamar do time. É um bom jogador, e só.

O Botafogo terá como objetivo principal não cair para a segunda divisão. Entretanto, em virtude de o nível do campeonato ser muito baixo, o time pode vir a entrar numa briga por uma vaga na libertadores, mas está longe de ser o potencial inicial deste elenco.

O Botafogo precisa também ter atenção nas copas. Ir o mais longe possível na Copa do Brasil e na Copa Sul-Americana significa mais dinheiro entrando, consequentemente a possibilidade de um sufoco menor nas finanças em meio a tantas limitações e penhoras.

E no campeonato Carioca é lutar pelo título e testar as opções pra temporada. Não pode ser levado como o fim do mundo se perder, mas também não é pra comemorar o ano inteiro.

O que a torcida pode fazer?

A torcida não tem culpa alguma da situação do Botafogo, mas ela pode sim comprar a briga.

Aderir ao Sou Botafogo e comprar um pacote para a temporada é o principal. Além de ajudar o clube você desfruta de benefícios e garante ingresso nos jogos durante todo o ano (Exceto clássicos no Carioca).

Semelhantemente importante é a sua manifestação. Seja no estádio, seja nas redes sociais, o torcedor pode e deve mostrar a sua insatisfação. A cobrança aos dirigentes é importante para que saibam de quem realmente é o Botafogo, quem de fato é o Botafogo.

Saudações Alvinegras!

Me sigam lá no twitter (@marcusc13) para juntos debatermos o Botafogo.

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