Colin Kaepernick,

Sei que muito provavelmente você não lerá essa carta. Mas não custa nada usar este espaço para opinar sobre sua carreira. Confesso que nunca fui seu fã, muito provavelmente por não jogar no meu time. Porém, você marcou minha vida de fã de futebol americano. Por uma grata coincidência você estava presente no primeiro jogo que eu vi, o SuperBowl XLVII. Mesmo não entendendo praticamente nada sobre o esporte àquela altura

Não sabia o que era uma trick play, play action ou read option. Aliás, você deve ter saudades desse tempo, mais precisamente 2012. Ninguém sabia parar esse sistema, e você como um bom quarterback destemido, era uma arma letal. Mas, você teve um início complicado, sendo reserva do Alex Smith por uma temporada e teve que esperar até a semana 10 da outra para mostrar seu valor.

Após isso, você conseguiu chegar no seu auge. Levou o San Francisco 49ers ao SuperBowl daquela temporada. Infelizmente a equipe não conseguiu seu objetivo, mesmo assim se manteve consistente na temporada de 2013, chegando a final de conferência e assinando um excelente contrato.

Kaep em ação no SuperBowl XLVII (Créditos: Wikimedia)

Porém, logo após temporadas consistentes, veio temporadas com resultados negativos. A read option, uma jogada fatal até então, foi mapeada. O elenco, que era bom, ao seu redor foi ficando envelhecido e peças de reposição não foram do mesmo nível. Trocas no comando do time, algumas lesões. E a famosa dificuldade de realizar leitura das defesas, de conseguir bons passes e esperar a progressão dos recebedores.

Ano passado, você conseguiu ser reserva de Blaine Gabbert. E quando ninguém esperava, o quarterback cheio de altos e baixos se tornou um ativista social. Além disso, você resolveu desafiar a todos, e se ajoelhar durante o hino do país mais nacionalista do nosso globo. Eu compreendo sua causa, concordo com suas razões e creio que pelo alcance mundial do esporte, foi um bom palco para isso.

No entanto, infelizmente, algumas pessoas não pensam desta maneira. E dentre essas pessoas, estão alguns donos de franquia ou general managers. E sim, esse é o principal problema para você não realizar seu trabalho. É inadmissível pensar que com todo nosso avanço nos setores da sociedade e esporte, ainda não conseguimos respeitar a liberdade individual de cada um.

Colin Kaepernick em 2016. (Créditos: NFL.com)

Alguns alegam que tecnicamente você não é mais o mesmo. E, que talvez, o seu nível não é mais de um signal caller da liga. Ora, na liga temos o seu companheiro de time e por algumas vezes seu reserva Blaine Gabbert. Ryan Mallet que nunca ultrapassou um rating acima de 75, e foi um caos no training camp dos Ravens. E o que falar de Mark Sánchez, protagonista deste lance. Jay Cutler conseguiu uma vaga e deu esse tipo de declaração.

E se pensarem que o seu ato foi algo duro. Temos jogadores que tem problemas sérios com a justiça na liga, caso de Terrell Suggs, que foi acusado de violência doméstica em 2012. Para agravar ainda mais, em 2013, o dono do Baltimore Ravens, Steve Bisciotti, declarou que via como o próximo líder defensivo da equipe. Pode piorar? Sim, pode! Pois o mesmo Bisciotti se opôs a sua contratação esse ano.

Pode ser que você não queira voltar para a liga, a rotina é dolorosa e o ambiente não é dos melhores. Muitos culpam que você irá trazer holofote demais para o vestiário, outros sua capacidade técnica. Eu prefiro acreditar que é simplesmente um pensamento antiquado contra a atitude que você tomou. Que estes não te silenciem, e que suas atitudes em busca de uma sociedade igualitária continue, mesmo que fora da liga.

Força e não desista, Colin Rand Kaepernick.

Comenta aí:
Share on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on Twitter0Buffer this page