No olho do furacão

A temporada de 2018 foi a pior ano para a Williams. O desempenho da antes vencedora de 7 mundiais e 9 títulos  de construtores foi trágica. Para uma equipe de ponta da F1, desde a última vitória em Barcelona com Pastor Maldonado em 2012, passaram-se seis longos anos. De lá pra cá a Williams vem amargando posições medíocres no grid e não pontuando em vários GPS.

Seus 2 pilotos Lance Stroll e Sergey Sirotkin não conseguem chegar em boas posições e para piorar, Lawrence Stroll (pai de Lance) que estava bancando boa parte das despesas da equipe, abandonou o barco e nas palavras do pessimista Jacques Villeneuve que sentencia:

 “A perda não só de Lawrence, mas também do patrocinador [Martini, que deixa a Williams no fim do ano], são provavelmente o último prego no caixão”, disse Villeneuve ao Le Journal de Montreal.

A descida parece não ter fim, e no comando desse barco a deriva esta a única mulher gerente de uma equipe de corrida de Fórmula 1, Claire Williams.

“Para mim, pessoalmente, isso é muito difícil, é de partir o coração e é um pouco destruidor de alma” – Claire Williams.

”Ela nunca vai trabalhar para mim”.

Essa frase foi dita por ”Frank coração de pedra Williams”, para ele, Claire não era a melhor opção, mas no final das conta teve que dar o aval para Claire, com o passar dos anos ela foi se envolvendo cada vez mais no mundo da F1. Claire Williams nasceu em 1976 em Windsor, ela é filha do chefe da Williams F1 Team, Sir Frank Williams, e sua falecida esposa, Lady Virginia Williams.

Depois de se formar em direito pela Universidade de Newcastle em 1999, começou como assessora de imprensa do Circuito de Silverstone ainda em  1999. Em 2002 ingressou nos negócios da família, chegando mais tarde a ser chefe de comunicações em 2010. Em março de 2013, ela foi nomeada vice-chefe da equipe de corrida Williams F1, onde atua no marketing e nos negócios comerciais da equipe. Seu irmão mais velho Jonathan a acusa de fazer lobby para cavar seu atual cargo na F1; isso causou um sério desentendimento entre os dois, eles ainda não se falam.

Mulheres chefes de equipes são raras na F1

Uma delas era a indiana Monisha Kaltenborn, uma advogada indo-austríaca que exerceu o cargo de chefe de equipe da Sauber entre 2012 e 2017, sendo a primeira mulher a ser chefe de equipe na Fórmula 1. Ela também detinha 33,3% de participação no projeto até que foi comprada pela Longbow Finance S.A. em julho de 2016.

Monisha não estava satisfeita com o tratamento diferenciado que é dado os pilotos da mesma equipe, então deixou o comando da Sauber em 2017. No campo operacional ainda  podemos encontrar Gill Jones que é engenheira eletrônica da Red Bull e a aspirante a pilota, que é o caso de Susie Wolff da própria Williams, e para por ai. Se para homens tarimbados na F1 ser chefe de equipe é um peso enorme, imagina-se que para uma mulher deva ser muito mais difícil. Será que Claire Williams concorda? É bem verdade que ela divide essa função com o chefe Paddy Lowe, mas os holofotes estão sempre apontando para ela afinal ela é a filha do dono.

“Eu questiono se sou a pessoa certa para fazer este trabalho. Mas eu não cheguei ao ponto de me olhar no espelho e pensar que sou o problema”. – Claire Williams.

O desafio de Claire

Ser a única mulher no comando de uma equipe de Fórmula 1 já é um grande desafio por si só e comandar uma equipe que está indo de mal a pior a cada ano que passa, chega a ser desumano. Mas Claire tem o DNA de seu pai. É obstinada, corajosa e não vai parar enquanto não colocar sua equipe no topo novamente, mais carismática, Claire leva uma vida simples atras das câmeras.

Ela deu à luz no outubro passado, mas admite que os planos de tirar uma folga em 2018 para passar o tempo com seu primeiro filho foram adiado. Claire quer provar que ela não foi um erro, no filme exibido pela Netflix ( Williams) ela disse que ser diretora de Fórmula 1 não era seu sonho de criança, mas que agora ela vai lutar, como a Williams sempre lutou.

“Este ano deveria ser meu tempo e aproveitar meu filho e meu marido, e não consegui fazer isso. Eu vou dar outra chance, mas ganhar não é fácil. É preciso muito de você para ter sucesso, e no momento estou testando para ver se tenho isso dentro de mim.”- Claire Williams.

 Uma luz no fim do túnel

Robert Kubica e o inglês George Russel foram oficializados como pilotos da Williams para 2019. O polonês já  conseguiu o patrocínio de uma petrolífera polonesa que vai investir cerca de 10 milhões durante a temporada de 2019. Kubica vem para dar um raio de esperança para a equipe que precisa de um herói; e neste caso Robert Kubica já começou bem, salvando um repórter em Abu Dhabi, a socorrendo quando este estava passando mal devido ao calor. Se a Williams precisava de um salvador, ele chama-se Robert Kubica.

Claire Williams agora vai poder contar com um piloto experiente e também com o  dinheiro para poder investir em P&D, pois até então não tinha nenhum dos dois. O mundo ainda vai ver as Williams correndo e pontuando e quem sabe, ganhando. E será por Claire,  que enfrentou tudo e a todos para continuar, como sempre foi na história dos Williams.

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