A temporada 2018 finalmente está às vésperas de começar. Para a alegria do fã de Fórmula 1, que sofre de abstinência aguda desde Novembro e só matou um pouco da saudade nos testes de Barcelona, a espera acabou. Neste final de semana, teremos a primeira corrida do ano, em Melbourne, no circuito citadino dentro do Albert Park.

Nos últimos meses, o 90GOALS vem fazendo um trabalho bacana, mostrando o que vem sendo feito de uma forma um pouco diferente do que se vê nos grandes veículos. Enfatizamos as mudanças dos regulamentos e das perspectivas de algumas equipes para este ano. A partir de agora vamos falar das equipes que comporão o “circo” da Fórmula 1 em 2018. Para fins didáticos, vamos começar falando daquelas que mais mudaram do ano passado pra esse, e que, por coincidência, seguraram a “lanterna” dos treinos pré-temporada: Sauber e Williams.

Sauber Alfa Romeo

Carro : C37
Motor: Ferrari
Pilotos : Marcus Ericsson (#9 – Suécia) e Charles Leclerc (#16 – Monaco)

A nova Sauber-Alfa Romeo C37 durante os testes de pré temporada em Barcelona. Foto: https://www.racefans.net/2018/02/23/pictures-saubers-new-c37-hits-track-first-time/photo-photograper-latref-digital-image-_w6i5843/

Desde o anúncio do patrocínio da Alfa Romeo no ano passado, as expectativas sobre a Sauber cresceram bastante. Após dois anos se arrastando e chegando ao cúmulo de usar um motor Ferrari em versão defasada em 2017, as perspectivas mudaram. Com a chegada de Frederic Vasseur (ex-Toyota) na chefia da equipe no meio da temporada passada, várias frentes foram abertas. Dentre elas, destacam-se a contratação de novos técnicos e o acordo multianual com a Ferrari, após um quase casamento com a Honda. Junte-se a isso a consolidação do comando da companhia pelo Fundo de Investimento Longbow, e a ótima infraestrutura de sua fábrica, em Hinwill. Essa foi a receita adotada pela Sauber na concepção do C37. Por conta do renovado acordo com a Ferrari, veio o fornecimento de motores atualizados, cambio e suspensões.

Um novo ciclo e uma nova cara

Dentro do carro, o acordo também se fará presente, já que também veio da equipe italiana o monegasco Charles Leclerc. Campeão da Fórmula 2 em 2017, o piloto da Academia Ferrari já havia feito alguns treinos livres com a equipe no final da temporada passada. O título na principal categoria de acesso, conquistado de forma avassaladora, ratificou a contratação do jovem monegasco, que é o número um na hierarquia do elenco de jovens promessas chanceladas pela montadora de Maranello.

Quanto à Marcus Ericsson, 2018 será o ano do “ou vai ou racha”. O sueco permaneceu na equipe graças à continuidade do acordo com a Longbow que ele amealhou, e que desde o meio de 2016 segue evitando a falência da Sauber. Ericsson, que desde a sua chegada à Fórmula 1 em 2014 é bastante questionado, terá em 2018 aquela que talvez seja a última chance de mostrar que não permaneceu na categoria apenas por conta das circunstâncias.

Para sair da lanterna e renascer, a tradicional equipe suiça de nascimento aposta na naturalização italiana.

Williams Martini Racing

Carro: FW41
Motor: Mercedes
Pilotos: Lance Stroll (#18 – Canadá) e Sergey Sirotkin (#35 – Rússia)

O Williams FW41 em sua cerimônia de lançamento. Foto: Williams F1 http://www.williamsf1.com/racing/news/2018/02/williams-martini-racing-launches-2018-season

A Williams é outra equipe que vive uma situação delicada. Longe do protagonismo que teve seu auge na década de 90, a equipe busca se reiventar desde o fim de 2005. Ao fim daquele ano a equipe perdeu o vínculo com a BMW. De lá pra cá, vários fatores tanto de ordem administrativa quanto de ordem financeira e desportiva emperram essa retomada. A última tentativa de crescimento se deu em 2014, quando a equipe apostou na superioridade dos motores Mercedes, no acordo com a Martini e na experiência de Felipe Massa. Naquela temporada a aposta mostrou-se válida, conforme o terceiro lugar no Mundial de Construtores atestou. Porém de ano em ano, a superioridade do Mercedes frente aos motores rivais foi diminuindo pouco à pouco.  Enquanto as rivais cresceram, a Williams estagnou.

Efeito-Dominó

As consequências negativas parecem aproximar-se agora. A equipe sabe que não terá o vínculo com a fábrica italiana de bebidas renovado. Além disso, o aporte finaceiro dado pela Martini veio diminuindo ao longo desse tempo, e aí a relação de causa e efeito é direta: quando a grana diminui, a performance cai.

No viés administrativo, a crise também atingiu a equipe de Grove de forma intensa. Patrick Head, co-fundador e consagrado projetista da fase áurea da Williams, não está mais por lá há alguns anos. Para compensar sua ausência, a equipe trouxe Paddy Lowe – que se notabilizou na Mclaren ao fim da era V8 e na Mercedes durante os primeiros anos da nova Era Turbo – em meados de 2016. O FW41 deste ano é o primeiro carro cujo projeto corre integralmente sob sua responsabilidade. No entanto, o próprio Lowe admitiu que será preciso paciência para avaliar o potencial do novo carro, que durante a pré temporada não se mostrou animador.

Diante de um cenário repleto de incertezas, não foi de se estranhar que a escolha dos pilotos titulares não passasse ilesa. Com a aposentadoria de Felipe Massa, e diante da queda do aporte financeiro investido pelo seu patrocinador principal, um novo dilema surgiu: como completar o orçamento, e ao mesmo tempo equacionar a ainda pouca de Lance Stroll  – que é bom que se diga, progrediu bastante da metade do ano meio passado em diante após um início hesitante – com um piloto capaz de dar o melhor direcionamento possível ao novo projeto?

O dilema da relação Custo X Benefício

Para resolver o problema, a equipe tentou demover Jenson Button de sua aposentadoria, sem sucesso. Sem outras opções com o mesmo perfil disponíveis no mercado, a equipe flertou com Robert Kubica. Dispensado pela Renault, equipe com a qual testou em três oportunidades no ano passado, o polonês seduziu a Williams com um aporte finaceiro na casa dos 7 milhões de euros. É um aporte mediano diante das cifras de patrocínio que a Fórmula 1 atual exige, mas que a Williams não poderia recusar.

Quando a contratação de Robert Kubica começava a ser dada como certa,  eis que surgiu Sergey Sirotkin. O piloto russo de 23 anos bateu à porta da Williams com um aporte financeiro bem superior ao de Kubica. Além disso, Sirotkin tem uma experiência mais recente com monopostos em relação ao polonês. Ele teve boas passagens pela antiga GP2 em 2015 e 2016, quando foi terceiro colocado.

Também pesou contra Kubica a incerteza quanto às suas aptidões físicas após o acidente sofrido em 2011. Durante o seu período de recuperação, ele flertou com várias categorias visando voltar a competir em alto nível. Porém seu retorno à Fórmula 1 nunca foi dado como possível até o ano passado, por conta de acidentes de menor gravidade que sofreu.

Fim do drama. Será?

Martelo batido, a Williams definiu seu line-up titular para 2018 com Lance Stroll e Sergey Sirotkin. Já Robert Kubica será o terceiro piloto e deverá guiar o carro em duas sextas-feiras durante o ano. Em meio às incertezas, resta saber como a Williams se comportará durante uma temporada que promete ser bastante difícil.

No próximo post, seguiremos com a apresentação das equipes que deverão figurar no pelotão intermediário, e eventualmente lutar por pontos.

Comenta aí:

2 COMENTÁRIOS

  1. I was wondering if you ever considered changing the structure of your website? Its very well written; I love what youve got to say. But maybe you could a little more in the way of content so people could connect with it better. Youve got an awful lot of text for only having 1 or 2 images. Maybe you could space it out better?

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here