E a famosa “profecia autorrealizável” aconteceu. Após semanas de discussão e especulação, a Williams anunciou agora pouco em Abu Dhabi a escolha de Robert Kubica para ser o companheiro de George Russell na próxima temporada.

A decisão da equipe inglesa pode ser considerada extremamente corajosa. Além de ser popular entre os fãs da Formula 1. Todo o contexto que envolve este retorno envolve um grande aspecto de dramaticidade e superação.

Embora muito bem recebida e signifique um ótimo case de marketing no curto prazo, a escolha do polonês traz mais incógnitas do que certezas.

Um retorno cuidadosamente trabalhado

Kubica vem preparando seu retorno de modo estruturado. Após seu aparatoso acidente de rally na Itália no início de 2011, perdendo parte do braço direito (e se diz um contrato com a Ferrari), o polonês retornou às competições um ano depois justamente onde quase perdeu a vida e que tirou a capacidade de dirigir.

O que restou do carro de Kubica após o acidente de 2011… (fonte: auto123.com)

Mesmo sofrendo uma serie de batidas, escapadas e capotagens, mostrou que a capacidade estava intacta, culminando na conquista do título do WRC-2 em 2013 (5 vitórias em 6 etapas).

Kubica no Jantar de Gala da FIA recebendo o troféu do título do WRC2 (fonte: autosport.com)

Diante disso, o polonês intensificou sua preparação física para uma possível volta e continuar participando de algumas etapas do Mundial de Rally. Inicialmente, andou em um F3, considerado o monoposto mais próximo ao da Fórmula 1 em termos de reação. E em 2016 fez alguns testes em simuladores da Mercedes e da Williams para verificar a sua capacidade. Havia ainda muito a ser feito, mas o caminho estava aberto.

Após muita discussão, no ano passado, Kubica fez treinos com a Renault em Valência (Espanha) e posteriormente na Hungria, estes com o carro utilizado pela equipe naquela temporada. O carro foi devidamente adaptado para que os controles fossem feitos pela mão esquerda. Os tempos obtidos foram bem competitivos e chamaram a atenção

Kubica x Williams: um relacionamento de idas e vindas

Ao mesmo tempo, começou o namoro com a Williams: logo depois veio um convite para testar o modelo 2014 devidamente adaptado em Silverstone. E negociações foram iniciadas para que o polonês assume o posto de titular da equipe para a temporada de 2018. Apadrinhado por Nico Rosberg, Kubica chegou a ser considerado por vários veículos como escolha certa.

Mas como a equipe inglesa precisava de dinheiro, deu preferência ao russo Sergey Sirotkin com um belo dote de 15 milhões de euros, deixando Kubica para trás, que havia juntado “apenas” 8 milhões. Todo caso, o polonês foi contratado como piloto de testes e desenvolvimento.

Inicialmente o que era ruim, verificou-se que uma ótima: o FW41 se mostrou totalmente equivocado e a equipe só marcou 7 pontos até aqui. Kubica tomou parte nos Treinos Livres da Espanha e Austria e agora irá para Abu Dhabi.

Kubica em ação no TL1 de Barcelona (fonte: f1i.com)

Agora, Williams, Kubica e a Fórmula 1 ganham os holofotes. A categoria ganha um belo caso para trabalhar em cima, enquanto Williams e Kubica têm uma tarefa comum para 2019: mostrar que ainda são relevantes e competitivos.

A equipe, após um terrível 2018, vem com ganas de fugir de um processo lento e doloroso de apequenamento, já abordado aqui. Kubica, quer mostrar que não serão 8 anos de afastamento que o impedirão de confirmar todo o potencial que mostrou lá atrás e que o colocava como futuro campeão. Ambos não têm um Plano B.

Mais uma vez, vemos a história ser escrita. O mundo do automobilismo recebe esta notícia com um misto de alegria e ceticismo. Teremos tempos interessantes. Que venha 2019 e vejamos uma Williams competitiva e um Kubica confirmando o que se esperava dele.

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