Max Verstappen venceu tranquilamente o GP do México nesse domingo. O holandês se impôs fortemente na largada e dominou a corrida, sendo votado como piloto do dia. Assim, o jovem da Red Bull reúne cinco vitórias na carreira e o recorde de mais vitórias sem pole. Mas não poderia ser de outro jeito: a grande comemoração era na verdade da Mercedes. E todas as atenções estavam no já lendário Lewis Hamilton.

Hamilton fez uma corrida difícil, sofrendo com o desgaste dos pneus. No entanto, as chances do título eram muito grandes no México. Se Vettel ganhasse a prova, Hamilton precisaria chegar pelo menos em 7º. Se o ferrarista não ganhasse, o título viria independentemente da posição do rival.

Daniel Ricciardo mais uma vez teve um final de prova frustrante. O sorriso do australiano voltou a aparecer no sábado, quando ele roubou a pole por poucos milésimos de Verstappen. Contudo, enquanto fazia uma boa prova e garantia uma dobradinha para a equipe austríaca, sofreu o oitavo abandono da temporada.

Ricciardo tira domínio de Verstappen e faz a pole

Verstappen liderou os três treinos livres no autódromo Hermanos Rodríguez. Ricciardo o acompanhou em segundo lugar nos dois primeiros treinos. Eventualmente, Hamilton fez o segundo melhor tempo no terceiro treino. Todavia, já estava provado que a Red Bull vinha muito forte nessa pista. Especialmente o holandês do carro 33, que venceu a prova no ano passado.

No Q3, as três equipes de ponta estavam na companhia de Renault e Sauber. Inclusive, a escuderia francesa se achou no traçado. Provavelmente teria sido a melhor do resto, não fosse o abandono de Carlos Sainz na corrida.

Na primeira saída do Q3, Verstappen fez uma excelente volta, superando as Ferraris e as Mercedes. Porém, de forma muito inesperada até mesmo para ele, Ricciardo completou uma volta melhor ainda, exatos 26 milésimos mais rápida. Conquista mais do que bem vinda, com a terrível fase que ele passa no campeonato. Frustração para Max, sorriso para Daniel, pelo menos por um dia.

Ricciardo para o carro orgulhosamente na placa de pole position (Fonte: redbullracing.redbull.com)

A melhor largada do ano

Na primeira fila, os “touros”. Na segunda, os rivais pelo título, Hamilton e Vettel. Se esperava que o agora penta campeão fosse conservador no início da prova. O fã da velocidade recebeu o oposto. O britânico se aproveitou da má largada de Ricciardo e se enfiou entre as Red Bull. Ele foi acompanhado pelo companheiro Bottas, que foi muito bem, mas acabou voltando à posição de origem.

Verstappen se manteve por dentro na primeira curva, segurando a ponta e já abrindo vantagem. Ricciardo vinha em terceiro, Vettel quarto, Bottas quinto e Sainz passou Raikkonen para ser sexto. Bottas cnnblknfslhegou a tocar as rodas dianteiras com Vettel, felizmente sem consequências.

Na parte de trás do grid, bem mais confusão. Ocon se envolveu em um choque e acabou perdendo uma parte da asa. Esse pedaço acabou no assoalho do carro de Alonso, que tentava escapar por fora da pista. Na volta 4, a Mclaren pediu para o espanhol encostar, devido a danos no carro 14, resultando em um Safety Car Virtual.

Verstappen toma a ponta logo na largada (Fonte: redbullracing.redbull.com)

As estratégias se apresentam

Verstappen mantinha uma boa distância em relação a Hamilton. Mais atrás, Vettel tentava seguir o ritmo de Ricciardo. Por um bom tempo Bottas e Raikkonen (que passou Sainz de volta) proporcionaram a única disputa mais próxima.

Com o tempo, Ricciardo começou a se distanciar de Vettel e chegar em Hamilton. Os pneus do inglês ja demonstravam sinais de desgaste. Assim, na volta 12 se dirigiu aos boxes. Bottas trocou logo depois dele, a Mercedes fazendo um pit duplo.

Para o delírio da torcida mexicana, Perez foi para cima de Ericcson, tentando chegar ao top 10. Quando conseguiu a ultrapassagem, na volta 14, nem um gol superaria a euforia.

Na volta 13 Ricciardo parou, e Verstappen, na 14. A Ferrari, por sua vez, dava indicações que faria apenas uma parada. Contudo, como Raikkonen foi alcançado e ultrapassado pelas Red Bull e por Hamilton tranquilamente, os italianos decidiram chamar os dois pilotos. Na volta 18, outro pit duplo, com Vettel voltando em quarto e Kimi em sexto.

Conclusão: os pneus seriam os grandes vilões dessa prova. O intenso desgaste foi mal assimilado pelas equipes, que não esperavam uma mudança tão grande na estratégia. Infelizmente, isso resultou em uma corrida pouco animada. O título de Hamilton poderia vir com uma emoção maior na pista, sem dúvidas.

As faixas que indicam o desgaste nos pneus de Hamilton chamaram a atenção das câmeras. (Fonte: Twitter F1)

Max desponta, Hamilton perde ritmo

Uma fila de carros disputava bem de perto a P11, grupo liderado por Leclerc e ia até Vandoorne. A briga lá é sempre mais apertada.

Verstappen foi avisado pela equipe que eles fariam duas paradas, apesar de que isso não afetaria as chances do garoto. Ele abriu muito a distância para os rivais, enquanto o engenheiro dizia que Hamilton não estava feliz com seus pneus. A Mercedes estava em uma situação delicada, sem conseguir imprimir um bom ritmo. Além disso, caso parasse, Hamilton teria que colocar um pneu ultramacio, menos durável ainda que o super. Não havia outro conjunto disponível no box.

Na volta 30, Vettel chega em Ricciardo e se prepara para atacá-lo.

No entanto, o movimento do alemão foi interrompido por mais um VSC, que foi chamado depois do abandono de Carlos Sainz, na volta 31. A parada de Sergio Perez veio apenas na 32, logo se envolvendo em uma disputa com Leclerc. Na 34, o VSC acaba e Vettel se aproveita do forte motor Ferrari para ultrapassar Ricciardo.

Na 39, Vettel chega em Hamilton e consegue passá-lo. Entretanto, o motor Ferrari ou uma melhor administração dos pneus nessa corrida não mudaria o campeonato. Para a decepção tão intensa quanto a comemoração, na 42 Perez foi para os boxes e abandonou, com problemas nos freios.

Ao passo que era superado por Vettel, Hamilton sobrou para Ricciardo. Porém, o australiano não conseguiu muita coisa. Logo, ao defender a posição, Hamilton errou o ponto de freada da primeira curva e saiu da pista. Ironicamente, se defendendo de Raikkonen, Bottas fez exatamente a mesma coisa.

Mais uma para a conta

A Ferrari vinha com um ritmo muito bom com ambos os pilotos. Na verdade, Vettel e Raikkonen fizeram algumas melhores voltas durante a prova. No lado azul do paddock, certeza de um bom resultado, com Verstappen na ponta e Ricciardo administrando bem o desgaste e um bom ritmo.

Porém, na volta 62, aconteceu de novo. Fumaça no escapamento da Red Bull número 3, que foi encostada logo. Fora da pista, Ricciardo, muito decepcionado, disse que não tem mais vontade de dirigir o carro. Disse até que se Gasly quiser já assumir o volante, por ele tudo bem. Um tapinha nas costas vindo de um fiscal de pista parece ter sido seu único consolo.

O que chamou a atenção nessa corrida foi a diferença gritante das equipes de ponta para as outras. Tanto é que o nome de Ricciardo demorou a descer na tabela, até que Hulkenberg passasse pelo carro abandonado. A Mercedes achou necessário chamar Bottas para mais uma parada na volta 64. Voltou em quinto, ainda com uma enorme vantagem para a Renault do alemão. Com os pneus hiper macios, o finlandês fez a melhor volta da prova e quebrou o recorde da pista, com um tempo de 1:18:741.

A história diante dos nossos olhos

Hamilton não fez a corrida que esperava, mas o campeonato mais incrível de sua carreira. Ainda discutiremos muito aqui o que levou a essa conquista. Por enquanto, o registro do momento.

O britânico, ao cruzar a linha de chegada, apoiou as mãos no halo do W09, acenando para a plateia. Ao sair do carro, obviamente ofuscou as comemorações e entrevistas dos integrantes do pódio. Recebeu um abraço muito forte de sua assessora, e até um parabéns de Will Smith.

É um sentimento muito estranho… Não foi vencido aqui, foi vencido com trabalho duro durante muitas corridas. Fangio fez com a Mercedes, então é incrível.

O merecidíssimo zerinho do campeão. (Fonte: mercedesamgf1.com)

O que deve ser destacado enfaticamente é o espírito esportivo admirável de Sebastian Vettel. O líder da Ferrari nesse campeonato interrompeu a entrevista pós chegada para cumprimentar o rival. Portanto, a cena dos dois abraçados sendo ovacionados pela torcida é mais do que bonita de ver. É histórica. Logo depois, Seb entrou no box da Mercedes e cumprimentou também quem estava por lá.

O campeão e vice de 2018 se abraçam. (Fonte: Twitter F1)

O título está nas melhores mãos possíveis. Mas o campeonato de construtores segue vivo e promete muito, além de uma briga de Bottas e Raikkonen pelo terceiro lugar. Assim estão os números depois do México:

Reprodução Twitter F1

E a seguir o resultado da corrida. Nosso próximo compromisso é (finalmente) o GP do Brasil, daqui a duas semanas.

Reprodução Twitter F1
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