Rebuild em andamento…

Chris Paul, Blake Griffin, DeAndre Jordan, JJ Redick, Jamal Crawford, Austin Rivers, Paul Pierce, Wesley Johnson… Era esse o núcleo do Clippers que disputou vários anos seguidos os Playoffs da NBA. Hoje, pouco mais de um ano desde a última classificação para a pós-temporada nenhum deles se encontram mais em Los Angeles.

Um rebuild tão rápido e tão contundente tem nome, sobrenome e apelido: Jerry West, The Logo.

Com a chegada do General Manager na Off Seasson de 2017 ficou claro que os rumos do Clippers seriam alterados, e de fato foram. O time já não vinha rendendo o mesmo de alguns anos antes e a derrota para o Utah Jazz na primeira rodada daquele ano foi a gota d’água para Chris Paul, que pediu para ser trocado. Apesar da dor em perder a maior estrela do time é admirável a lealdade de Paul, já que ele tinha a opção de sair como agente livre, mas preferiu deixar algo em troca para a franquia, o resultado foi um pacote de bons jogadores vindo do Houston, incluindo Lou Williams e Montrezl Harrell.

Com a saída de Paul, foi prometido a Blake Griffin o cargo de Franchise Player junto a um contrato máximo de 5 anos de duração, porém no meio da temporada 17-18 ele foi trocado para o Pistons, nesse que eu considero o melhor movimento de mercado feito nessa rebuild. Afinal será que Blake iria conseguir conduzir esse time por 5 anos de forma competitiva ocupando 35 milhões do CAP? Eu acho que não. Em troca recebemos o talentoso Tobias Harris, o exímio defensor Avery Bradley e o literalmente gigante Boban Marjanovic. Reddick e Jamal já haviam saído como agentes livres em 2017; Jordan saiu da mesma forma agora em 2018, mesma época em que Austin Rivers foi trocado pelo pivô Marcin Gortat e o Wesley Johnson foi dispensado.

Além das saídas, Shai Gilgeous-Alexander e Jerome Robinson foram draftados, um armador de muita qualidade e um scorer que ainda jogou pouco, tanto na Summer League como nas 4 primeiras partidas da temporada. Assim, em pouquíssimo tempo, foi desfeito todo o elenco do último e maior ciclo competitivo da nossa franquia, que conseguiu terminar 5 temporadas das últimas 6 com mais de 50 vitórias, e, da mesma forma foi refeito um time bastante competitivo para disputar a temporada 18-19 e estrategicamente seremos a franquia como maior espaço no CAP para a agência livre de 2019, que conta como principais nomes Kawhi Leonard, Jimmy Butler, Klay Thompson, Kevin Durant, DeMarcus Cousins e Kemba Walker.

Projeção do Clippers

E assim entramos na temporada 18-19, com um time competitivo, um elenco de boa profundidade, mas sem nenhuma estrela, o que esperar então desse Clippers?

Clippers. Foto/Divulgação
Clippers. Foto/Divulgação

Claramente esse time ainda não está pronto, essa ainda não é a hora de voltarmos aos tempos de vitórias, essa será uma temporada de experimentações, e por isso prefiro segurar o entusiasmo e ter expectativas mais realistas, pautadas especificamente em 4 pontos:

1-TOBIAS HARRIS NÃO VAI SER NOSSO FRANCHISE PLAYER

Assim que chegou ao Clippers, em janeiro desse ano, Harris teve seus melhores números na carreira, superando a marca de 19 pontos por jogo, em comparação Griffin teve média de pouco mais de 18 pontos no mesmo período em Detroid. A expectativa é que Tobias continue evoluindo e faça uma temporada acima dos 20 pontos de média já que ele será, junto a Lou Williams, a principal arma ofensiva do time. Consistente defensivamente e ofensivamente, pontua de todos os lugares da quadra, Harris é um jogador que qualquer franquia queria ter no elenco, mas não é o líder que um time precise para ser campeão, por isso é injusto pensar, e cobrar, que seja ele a estrela que esse time não tem. O que eu espero é que ele cumpra as expectativas de fazer sua melhor temporada, que ela cresça no fim de alguns jogos importantes, mas estou ciente de que ele não fará milagre em todos os jogos. Em resumo espero que ele jogue bem e que renove seu contrato ao final da temporada por um valor razoável, não muito acima dos 20 milhões que ele já recusou nesse verão.

Clippers. Foto/Divulgação
Clippers. Foto/Divulgação

2-SHAI TEM QUE TER ALGUNS BONS MINUTOS EM QUADRA

Gilgeous-Alexander, o nome pode até assustar um pouco pelo tamanho quando visto no uniforme, mas Shai é um armador com grande potencial. Um PG com 1,98m de altura, defensivamente consistente e que ofensivamente se comporta como um autêntico Playmaker, sabe distribuir e cadenciar o jogo tanto quanto bater pra dentro do garrafão sem medo de pontuar. Ainda está cru e precisa evoluir em alguns pontos, principalmente no seu arremesso de perímetro. Ele foi recentemente apontado no GM Survey 2018 como favorito a Steal desse draft e agora com o bom início de temporada deve conseguir manter uma boa média de minutos em quadra principalmente com o início ruim da dupla de armadores titular, Beverley e Bradley. Não dá pra esperar que ele seja candidato a ROY, mas basquete ele tem de sobra pra ser o armador titular desse time num futuro próximo.

3-UM TIME CHATO DE SE ENFRENTAR, MAS QUE VAI VARIAR DURANTE A TEMPORADA

Esse não é nem de longe um dos elencos mais talentosos da liga, mas o pouco que falta em técnica sobra em raça. Nessa temporada seremos um dos times mais chatos de se jogar contra, com um ritmo de jogo mais lento, dificultando as transições rápidas e uma defesa bem montada, esse time deve sofrer poucos pontos, perdendo ou ganhando os jogos serão quase sempre apertados. Apesar disso, o ataque ainda é bem irregular, o que com certeza vai fazer com que o time tenha muitas variações durante os próximos 78 jogos. Alguns problemas são bem notórios e já se mostram preocupantes mesmo nesses 4 primeiros jogos, alguns desses problemas são:

Garrafão fraco defensivamente, Gortat já não tem mais físico, Harrell é baixo e Boban muito pouco atlético. Não que o garrafão seja um dos piores da liga, mas deve sofrer bastante contra garrafões fortes como o Houston de Capela ou Pelicans com Davis e Mirotic;

Ataque desorganizado, Bradley e Beverley são armadores de muita capacidade defensiva, mas de pouquíssima capacidade criativa. Os ataques do Clippers até aqui estão sendo muito mal tramados. A bola circula pouco e temos um repertório muito pouco diversificado de jogadas ofensivas. O ideal, e o que deve ocorrer em breve, é que um dos dois perca a titularidade para o Shai e vá para o banco ser o fiel escudeiro do Lou Williams.

4-ACOSTUME-SE A VER O CLIPPERS COMO O TIME DO GIGANTE

Nenhuma grande estrela no elenco e apenas 1 jogo transmitido ao vivo no Brasil, esse é claramente um time quase sem nenhum apelo midiático se não fosse o Gigante de LA, mais conhecido como Boban Marjanovic. O pivô de 2,22 metros de altura é quem tem chamado mais atenção no lado azul e vermelho de Los Angeles, principalmente com suas enterradas quase sem pulo.

Boban já foi fundamental em algumas vitórias do time na temporada passada, mesmo assim é evidente que seu nível competitivo não é tão alto, muito por conta de sua altura e a falta de mobilidade. Porém, ele é bastante carismático e o Clippers parece saber disso, inclusive demonstra estar disposto a explorar bastante sua imagem, já tendo lançado uma série de vídeos chamado “Bobi + Tobi”, uma série bem humorada que ele protagoniza ao lado de Tobias Harris. Boban é então um trunfo, ao menos midiático, para não sermos esquecidos numa cidade que já contava com o Lakers e agora tem o melhor jogador da liga vestindo a tradicional camisa amarela.

Clippers. Foto/Divulgação
Clippers. Foto/Divulgação

Mesmo com a inconstância, não é nenhum absurdo acreditar em Playoffs, apesar de ser uma missão bem difícil. Conseguir se classificar ao menos na última vaga da conferência mais complicada se torna um excelente atrativo para a próxima agência livre. Porém, existe um determinante interessante que tem dividido os torcedores, em caso de classificação aos Playoffs a nossa escolha do próximo draft irá para o Celtics, caso a classificação não aconteça ficamos com a escolha e podemos draftar um bom pivô para resolver o problema do nosso garrafão. Ou o time se mostra competitivo desde já ou apostaremos em mais um calouro, ambas as hipóteses apontam pra um futuro no mínimo interessante, o fato é que essa temporada será de construção de base, ano que vem saberemos se sonhar com título é demais ou não. 

 

Texto por Pedro Rodrigues Costa.

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5 COMENTÁRIOS

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