A Sauber é mais uma que merece atenção neste início de temporada. A equipe suíça, após dois anos apagadíssimos, iniciou uma reestruturação técnica agressiva, trazendo novos nomes e pode ajudar a embolar o meio do grid. Senão vejamos…

Toda esta curiosidade que você tem pelo que eu faço….

Infelizmente, desde 2016, a equipe tem chamado mais a atenção pelas notícias extrapista do que pelos resultados. A vexaminosa contratação tripla (Felipe Nasr, Marcus Ericsson e Giedo Van der Garde) para dois carros resolvida com um caro acordo na justiça com o holandês prejudicou muito o ano da equipe.

A equipe terminou o ano com 2 pontos marcados pelo brasileiro em sua corrida caseira e entregando seus rumos ao fundo de investimentos Longbow, que muitos dizem ser capitaneado pelos apoiadores do sueco Marcus Ericsson, que entrou em 2015, sendo o principal esteio financeiro da Sauber desde então.

Entretanto, a situação que parecia melhorar pela vinda de garantias financeiras, não se concretizou.

Toda esta meia verdade com a qual temos nos conformado…

Antes do fim da temporada de 2016, a então chefe de equipe Monisha Kaltenborn anunciou que, por uma questão de priorização de recursos pela introdução do novo regulamento em 2017, usaria os motores Ferrari…daquele ano. Tal ação foi motivada pela fato da existência de faturas em aberto com Maranello.

O C36, quando demonstrado, chamou a atenção pela bela pintura e pela semelhança aos anteriores C34 e C35. Marcus Ericsson foi confirmado e chamou a atenção a vinda de Pascal Werhlein, piloto protegido da Mercedes e que até chegou a ser cogitado para assumir um lugar na “nave-mãe” após a aposentadoria de Nico Rosberg.

Com a chegada do alemão, se cogitou a possibilidade da reativação da dobradinha da Sauber com a casa de Stuttgart vários anos depois, o que não se concretizou. E o italiano Antonio Giovinazzi entrou como piloto reserva por livre e espontânea pressão da Ferrari por conta do “pendura” da conta dos motores.

Sauber C36, carro de 2017 (fonte: sauberf1.com.br)

Wehrlein sofreu um acidente na Corrida dos Campeões no início do ano, fraturado uma vértebra e Giovinazzi assumiu seu lugar às pressas na Austrália, chegando na 12ª posição. A esta altura, a Sauber demonstrava que iria ser a lanterna da temporada, mesmo com a Mclaren apanhando com o problemático motor Honda…o alemão voltou no Bahrein para ladear Ericsson no fim do grid.

Se paro e me pergunto: será que existe alguma razão pra viver assim ?

Talvez tenha sido esta pergunta que tenha sido ecoado na sede da Sauber em Hinwill. À medida que os resultados na pista eram insatisfatórios, cada vez aumentavam os rumores de desencontros entre Monisha e os gestores da Longbow, que exigiam atenção diferenciada para Ericsson e ações para reverter a situação.

A conquista dos primeiros pontos por parte de Werhlein na Espanha (oitavo lugar) deu um certo animo à trupe. Aproveitando a saída da Audi do WEC, a equipe anunciou a contratação de Jorg Zander para o posto de diretor técnico. Zander, entre outras coisas, fez parte da equipe que desenhou o Brawn BGP001. Além disso, a equipe iniciou tratativas para o fornecimento de motores junto à Honda a partir de 2018.

Quando a coisa parecia engrenar, a disputa interna azedou e a Longbow tomou ações: Um pouco antes do GP da Hungria, Monisha foi despedida e veio para seu lugar Frederic Vasseur, fundador das equipes ASM (F3), ART (GP2) e da empresa Spark, que construiu os primeiros Fórmula E. O francês (com sua cara de ressaca permanente) já havia comandado a Renault um ano antes e voltava com carta branca para reorganizar a Sauber.

Frederic Vasseur e Pascal Wehrlein : poucos motivos para risos em 2017 (fonte : Sauber F1)

Vasseur já chegou com a grande responsabilidade de confirmar o acordo de fornecimento com a Honda. Em entrevista dada à Autosport na semana passada, o francês declarou que a recusa aos japoneses foi decidida por ele uma hora depois de ter assumido o posto.

Segundo ele, o acordo previa que a Mclaren forneceria as caixas de cambio, mas segundo conhecidos dele dentro da equipe, o casamento anglo-japones não prosseguiria e a situação da Sauber ficaria descoberta. Por isso, não prosseguiu com o contrato.

Toda essa intensidade, buscamos identidade…

Rapidamente, um tempo depois, a Sauber voltou a conversar com a Ferrari para uma colaboração. Tal relacionamento não seria inédito, pois a equipe suíça utilizou motores italianos por vários anos, sendo interrompido o acordo após o fechamento da compra da equipe pela BMW. Um acordo “multianual” foi fechado em setembro, onde envolvia não somente o uso da versão atualizada da unidade de potência, como “intercâmbio técnico”.

A partir daí, se avolumaram as conversas de que a Sauber se transformaria em um “Time B” da Ferrari, com um tipo de parceria semelhante ao que tem a Haas, onde várias partes são cedidas pelos italianos  (para entender, leia aqui).

Não seria nenhuma novidade, pois em meados dos 2000, os suíços chegaram ao ponto de terem sido acusados de ter literalmente copiado a Ferrari. Mas o caso agora é diferente, pois a Sauber possui uma infra-estrutura de primeira linha, inclusive prestando serviços a terceiros (a Audi usava o túnel de vento para desenvolver seus carros do WEC).

Acreditamos na distância entre nós!

E as duvidas se tornariam quase certezas quando três dias após a corrida de Abu Dhabi, foi anunciado no Museu da Alfa Romeo o acordo de patrocínio da Casa de Arese à Sauber, com a presença de meio mundo da Fórmula 1, incluindo o Presidente da FIA, Jean Todt e o CEO da Fórmula 1, Chase Carey.

O envolvimento chegou a tal ponto que Charles Leclerc, campeão da F2 e piloto da Academia Ferrari, foi confirmado como piloto titular para 2018 ao lado de Marcus Ericsson. O piloto monegasgo já havia feito os últimos treinos livres de sexta da temporada pela equipe e sua contratação era dada como pule de dez. A permanência de Ericsson é que foi a surpresa, pois se contava com sua saída caso a compra da Sauber fosse feita.

Alfa Romeo Sauber 2018 : Charles Leclerc e Marcus Ericsson (fonte: twitter SauberF1)

Além de garantir um posto para seus pilotos, a Ferrari ganhava mais um peão no tabuleiro da disputa com a Liberty Media para a nova formatação que os americanos querem dar à categoria (já falado aqui). Mesmo assim, Vasseur nega até o fim que a Sauber se tornará um time B da Ferrari, mas será sim “o Time A da Alfa Romeo”. Ok, meu amigo…

A reestruturação está em plena ação, com a contratação de funcionários e a mudança na área técnica. Espera-se que a Sauber volte para o seu posto de equipe média, que fica no meio do pelotão, sendo presença constante na zona de pontuação. Além da confirmação do talento de Charles Leclerc, que vem sendo decantado em verso e prosa pelos especialistas.

Hoje, o fã não tem tanta simpatia pela equipe, que surgiu com certo ar garagista, embora com o apoio da Mercedes e mais tarde se tornou oficial de fábrica com a BMW. Mas todos querem que saiam da cripta, em respeito ao legado do velho Peter Sauber. Dia 20 de fevereiro, o C37 será apresentado e teremos algumas respostas às varias perguntas que estão no ar.

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