Ouviu-se pelo mundo da Fórmula 1 o suspiro de alívio quando houve o anúncio na última terça, dia 07/08, de que os responsáveis pelo processo de administração judicial da Force India haviam encontrado um comprador para a equipe.

Em um ar de falsa surpresa, soube-se que um consórcio capitaneado por Lawrence Stroll foi o responsável pela aquisição. Em breve comunicado, a preocupação dos novos donos era

“garantir a continuidade das operações, manter os 405 empregos e pagar aos credores”.

Logo, os detalhes começaram a surgir. E logo percebeu-se que o envolvimento de papai Stroll era somente a ponta do iceberg. A seguir, seguem alguns dos envolvidos oficialmente nesta empreitada:

André Desmarais

Compatriota da família Stroll. De acordo com alguns rankings, sua família é a sétima maior fortuna do Canadá. A empresa criada por seu pai, a Power Corporation of Canadá, tem investimentos em diversos ramos, especialmente finanças, comunicações e energia. É atualmente o comandante da empresa.

John Idol

O americano é oriundo do ramo de moda, o mesmo de Lawrence Stroll. Começou sua carreira na Polo Ralph Lauren. Na década de 90, foi escolhido para ser CEO da marca Donna Karan, onde ficou até 2001, quando houve uma fusão com os franceses da LVMH. Desde 2003, é um dos donos e CEO da Michael Kors, que patrocinou a Mclaren em 2016 e 2017

Jonathan Dudman

Este talvez seja o mais obscuro. É o comandante da Monaco Sports and Management. Em seu site, a empresa se define como uma consultora de gestão para clientes de alto nível financeiro. De acordo com a motorsport.com, Dudman também foi um dos responsáveis por uma das fazendas de Jody Scheckter.

Silas Chou

Vindo de Hong Kong, sua família tem tradição em negócios na indústria têxtil. Sócio de Lawrence Stroll em várias empresas, juntos compraram a Tommy Hillfinger e a Michael Kors

John McCaw Jr

Mais um canadense da equação. Seu envolvimento com o esporte não é recente: ele foi dono de times de hóquei, basquete e baseball. Um de seus irmãos foi um dos donos da antiga PacWest na Fórmula Indy.

Michael de Picciotto

O suíço vem do ramo financeiro: seu tio fundou a UBP (União de Bancos Privados). Atualmente, é o vice-presidente do comitê supervisor de uma empresa alemã de gestão de propriedades de alto padrão, como casas, iates, aviões, entre outros.

O que será agora?

Com a aquisição, duas certezas surgem: o nome da equipe irá mudar e Lance Stroll deverá ser um dos pilotos. Mas uma série de outras questões surgem…

Como exposto na última segunda, Williams, Mclaren e Renault barraram o acesso dos novos donos à premiação da Force India este ano (ver aqui). Mas com o peso financeiro deste grupo, abrir mão de cerca de 60 a 80 milhões de dólares não seria algo complicado em princípio. Até mesmo a mudança de nome necessita ser aprovada pelas demais equipes.

De acordo com a imprensa especializada, Lawrence Stroll pressionava a Williams para se tornar uma espécie de “Mercedes B”. Embora a Force India tenha estrutura e um corpo técnico competentes, a tentação para que os alemães estendam sua influência na equipe será grande, ainda mais que as definições para o projeto do próximo ano têm que ser tomadas rapidamente.

Caso esta decisão seja tomada, a pressão aumenta para a Williams e Renault: para os ingleses, pode significar a perda de um aporte financeiro razoável e significar vender a alma para a Mercedes ou algum piloto endinheirado. Já no lado francês, seria mais um concorrente com mais uma frente de desenvolvimento.

A novela teve uma decisão importante, mas está longe do fim. Além das questões financeiras, há a questão dos pilotos: Esteban Ocon fica? Sergio Perez vai embora, após ter assumido um papel importante na decretação da administração judicial? George Russell aparece como imposição da Mercedes?

Preparem a pipoca. Tem muita coisa interessante para sair daí…

Comenta aí:

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here