Dezenas de milhares estão se manifestando no Brasil

Escrito por Marcia Riverdosa e Rodrigo Pedroso | CNN

Dezenas de milhares de brasileiros foram às ruas no sábado para expressar sua frustração com a forma como o presidente Jair Bolsonaro lidou com a crise da Covid-19, no que parecia ser os maiores protestos no país desde o início do surto no ano passado.

Manifestantes em algumas das maiores cidades do país, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, pediram a responsabilização do presidente e melhoraram o acesso às vacinas Covid-19. Muitos dos manifestantes não pareciam praticar distanciamento social, embora a maioria usasse máscaras.

O Brasil enfrenta uma possível terceira onda de Covid-19, já que o Ministério da Saúde relatou 79.670 novos casos de Covid-19 e 2012 mortes ligadas ao Coronavírus no sábado. O país registrou mais de 460.000 mortes por Covid-19 e 16 milhões de infecções.

De sua população de mais de 210 milhões, cerca de 19 milhões – ou menos de 9,4% – foram totalmente vacinados.

Bolsonaro subestimou repetidamente a importância da epidemia em seus estágios iniciais. Ele anteriormente descreveu a Covid-19 como uma “pequena gripe” e sabotou os esforços para implementar o distanciamento social ou bloqueios. Banners referindo-se às ações de Bolsonaro no valor de “genocídio” foram vistos nas manifestações.

O Senado brasileiro está conduzindo uma investigação sobre a forma como o governo Bolsonaro está lidando com a pandemia.

Em São Paulo, os manifestantes expressaram sua frustração com as políticas do Bolsonaro.

A enfermeira Patricia Ferrera disse que o Bolsonaro está “pior do que o vírus no momento”.

“Estamos exaustos e nosso sistema de saúde está à beira do colapso”, disse ela. “Não há solução para a pandemia com ele (Bolsonaro) no poder.”

A aluna Beatrice Fernanda Silva disse que estava se manifestando em homenagem ao tio, que ela disse ter sido morto pela Covid-19 aos 42 anos.

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“Vim aqui lutar pela vacina que ele não conseguiu e que poderia salvar, morreu no final de fevereiro, deixando dois filhos e uma esposa.

Ela disse que entendia os riscos aos quais estava exposta por “estar nas ruas no meio de uma pandemia”, mas que acreditava que era importante falar abertamente.

“Muita gente está morrendo. Bolsonaro tem que fazer algo a respeito, mas desde o início ele tratou a situação com total negligência.”

Os protestos foram em grande parte pacíficos, com exceção de Recife, capital do estado de Pernambuco, onde a polícia usou balas de borracha, granadas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta para dispersar a multidão. Vídeos que circularam nas redes sociais mostraram que um manifestante foi atingido por uma bala de borracha no olho e policiais foram vistos usando spray de pimenta em Liana Ciseny, vereadora local do Partido Trabalhista.

Luciana Santos, a vice-governadora do Estado de Pernambuco, disse que a ordem para dispersar os manifestantes não foi emitida pelo governo e uma investigação foi aberta sobre táticas policiais. O governador Paulo Câmara prendeu o delegado e os policiais envolvidos até o final da investigação.

Swanhilda Müller

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