O título significa “O passeio catalão de Hamilton”. Talvez esta fosse a melhor tradução para o GP da Espanha do último domingo em Barcelona. Em uma corrida ganha no sábado, quando fez a pole position, Lewis Hamilton não tomou conhecimento da concorrência e foi imperial, vencendo tranquilamente a prova.

As últimas corridas acabaram por deixar o público mal-acostumado, na ânsia por mais uma corrida “animada”. Antecipadamente dito aqui na prévia do GP, o circuito de Montemeló não se caracteriza por permitir grandes disputas ao longo dos anos. A grande esperança era que a chuva viesse. E ela veio, mas na madrugada de sábado para domingo. Com isso, a GP3 correu com pista úmida (ajudando o acidente de Pedro Piquet). Por fim, mesmo com torcida, tivemos pista seca para o espetáculo principal.

MERCEDES E HAMILTON DOMINADORES

Após duas corridas em que a Ferrari se mostrou mais efetiva, a Mercedes mostrou que não ficou parada. Como todas as equipes, aproveitando a proximidade com suas bases, trouxe atualizações que melhoraram o desempenho. E dominou todos os treinos, com o inglês sempre à frente.

A Ferrari chamou mais a atenção pela adaptação de retrovisores no Halo, igualmente com a adoção de pequenas aletas. Inicialmente, “Dona” FIA liberou o uso no dispositivo de segurança, após consulta. Mas após a chiadeira geral, foi pedido que as aletas fossem retiradas para Mônaco. Inicialmente, se achava que os italianos estavam “guardando” o jogo para a classificação e a corrida. Entretanto, no treino definitivo, acabaram ficando na segunda fila, com uma relativa distância.

Vettel e o halo “empoderado” da SF71H (fonte:ferrari.com)

Todos voltaram sua atenção para a largada. E Lewis Hamilton tratou se acabar coma brincadeira, livrando logo mais de um carro de vantagem. Sebastian Vettel conseguiu roubar a segunda posição de Bottas, vindo Raikkonen logo atrás.

O velho Grosjean está de volta!

Posteriormente, tivemos o lance mais espetacular da corrida : Ao evitar uma “escapada” de Magnussen, inesperadamente Grosjean perdeu o controle e rodou na Curva 3. Até ai, faz parte do jogo. Mas o retorno à pista de ré e acelerando à toda acabou por ser uma manobra descerebrada, concomitantemente retirando Hulkenberg e Gasly da prova, quase provocando um acidente de graves proporções.

O francês vem sendo pressionado na equipe e está voltando a ser o Grosjean de 2012…Levou um gancho de 3 posições no grid para Mônaco e vem sendo cada vez mais discutido na Haas, também por levar tempo de Magnussen e seus intensos reclamos por conta dos freios.

Destaques

Além disso, tivemos dignos de nota o desempenho da Red Bull, que acabou andando bem na parte final da prova. Riccardo acabou rodando do nada durante do Safety Car Virtual e Verstappen teve um entrevero com Stroll e perdeu um pedaço do spoiler, sem prejuízos. Nesse sentido, a chave para os taurinos é acertar o carro para o início da prova, pois mostra que tem um bom ritmo de corrida (Riccardo marcou a melhor volta da prova).

Outro destaque foi Charles Leclerc, que fez muito com uma Sauber que se mostrou um ”foguete” em reta. O jovem monegasgo aproveitou a confusão da largada, conseguindo garantir um top 10. Além disso, controlou Fernando Alonso em uma Mclaren bem revisitada por bastante tempo, somente falhando na relargada. Até agora, vem mostrando que a expectativa criada nele é justa e se cacifa para os próximos tempos. A ver. Embora seja preocupante o fato de andar na frente do Ericsson, que já mandou dois embora que fizeram isso antes…

Leclerc: um passo de cada vez. Na direção certa (fonte:sauber F1)

Williams, Williams…

Por outro lado, o destaque negativo foi a Williams. Robert Kubica fez seu primeiro treino oficial e, mesmo botando mais de 1 segundo em Lance Stroll, não conseguiu sair do fundo do grid. Em suas declarações pós-treino, falou de modo (nem tanto) educado, mal do carro. Como se não bastasse, Stroll e Sirotkin trataram de confirmar a situação exposta pelo polonês, mostrando um carro nervoso nas curvas concomitantemente sem aderência. Segundo o agora consultor Alexander Wurz, parte dos problemas do FW35 vinham do difusor e que estavam trabalhando nisso e em outras partes. Pobre ocaso de uma gigante.

Vettel acabou fazendo uma corrida um pouco prejudicada justamente pelo que parecia o trunfo da Ferrari: o gerenciamento de pneus. Levou tempo de Hamilton e teve que antecipar sua primeira parada, prejudicando seus planos. E surpreendeu a parada durante o Safety Car Virtual, se bem que parte por necessidade e parte na estratégia de “marcação homem a homem” que os italianos resolveram adotar contra Mercedes, sem sucesso. Dessa forma, a questão foi minimizar o prejuízo com o quarto lugar. Raikkonen estava em melhor condições, mas teve o problema de motor.

PNEUS…AH, PNEUS

De antemão, muita gente reclamou da mudança feita pela Pirelli para este GP, a pedido da Mercedes e da Red Bull. Pelo fato dos carros serem muito sensíveis, algum impacto teve. Do mesmo modo, é bom lembrar que tal alteração teve a aprovação de TODAS as equipes. Falar em favorecimento agora é pura muleta. Tudo bem que há grande politicagem por trás e não há santo naquele meio. Ainda que tal afirmação seja pura leviandade, algo que a paixão do torcedor  permite.

Em suma: Espanha foi uma corrida onde Hamilton foi Hamilton, garantindo-se mais ainda na liderança do campeonato, abrindo 17 pontos de vantagem sobre Vettel. Agora, a próxima etapa será no dia 27, em Mônaco. É uma pista que, em princípio, não é boa para a Mercedes. Entretanto, o inglês se cacifa para que um resultado desfavorável o prejudique.

Toto e seus dois pilotos (fonte: Mercedes AMG)

RESULTADO FINAL

(fonte: f1.com)

Resultados do campeonato de pilotos e construtores.

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