Embora nunca tenham ido embora totalmente da festa, perderam a vergonha. A indústria que foi um dos esteios da Fórmula 1 por muito tempo e vem sendo execrada nos últimos anos, começa a reaparecer com mais força no cenário. Senhoras e senhores: Com vocês, as tabaqueiras!

Hoje, às vésperas do lançamento do MCL34, a McLaren anunciou uma parceria com a British American Tobacco, através de sua divisão “A Better Tomorrow” (“Um Amanhã Melhor”), para desenvolver tecnologia visando “reduzir o risco de produtos e promover desenvolvimento de tecnologia e inovação, além de uma mudança significativa em suas respectivas industrias”.

A gigante se junta à sua amiga Phillip Morris, que apóia por anos a Ferrari e que no ano passado começou a veicular a “Mission Winnow”, divisão que desenvolve baterias para os apetrechos eletrônicos de fumo. Coincidentemente, tal após a chegada de Louis Camileri  que foi CEO da marca por anos, ao comando da fábrica italiana. A Ducati também começará a veicular a marca em suas motos este ano.

Formula 1 e Tabaco: um velho caso de amor

Após anos de apoio e consagrarem como identidade visual de equipes (Lotus com a John Player Special e a McLaren com a Marlboro), os patrocínios de cigarros começaram a ser cerceados com força nos anos 90 e banidos totalmente em 2007. A última vez que um Fórmula 1 usou uma marca de cigarro foi no GP da China de 2007.

Mesmo assim, a Phillip Morris (leia-se Marlboro) manteve o apoio a Ferrari e encontrou maneiras de veicular seu nome subliminarmente (um exemplo do poder da marca: Em uma pesquisa no GP da Inglaterra de 1992, foi constatado que mais de 90% do público consultado simplesmente não percebeu que estava McLaren ao invés de Marlboro nos carros da equipe). Em 2010, houve um questionamento por parte da União Europeia e a marca teve que ser mudada (modificação estendida à Ducati, também patrocinada pela empresa na MotoGP).

Entretanto, a marca Marlboro prosseguiu sendo veiculada no nome oficial da equipe Ferrari. E assim foi sendo até o ano passado. Mesmo com toda a proibição, a Phillip Morris renovou o contrato “em uma base multianual”, estimada em US$ 160 milhões/ano.

Sobrevivência, antes de tudo

Com o contínuo cerceamento ao fumo, embora as vendas continuem altas, a indústria tabaqueira vem buscando meios de garantir a sua sobrevivência. E encontrou um filão promissor: os cigarros eletrônicos.

Em várias de suas pesquisas, foi encontrado um modo de substituir o cigarro tradicional: são inaladores que permitem às pessoas consumir vapores saborizados (muitas vezes incluindo substâncias como a nicotina), sem os transtornos do produto convencional.  Uma das “vantagens” é reduzir o mal cheiro e liberar vapor de água.

Além dos fumantes tradicionais, o cigarro eletrônico vem encontrando adeptos em um grupo da população “maravilhoso”: os jovens. E por este motivo, vários países fecham o cerco ao produto. por considerar que são uma porta de entrada para o consumo do cigarro tradicional. Nos Estados Unidos, os cigarros eletrônicos foram considerados como produto de tabaco e possuem regulamentação própria.

Nesta esteira, a Austrália, país com uma das leis antitabaco mais restritivas do mundo, anunciou na última semana que iniciou investigação sobre a Mission Winnow e pode proibir a veiculação da marca nos carros da Ferrari no GP do próximo dia 17 de março. Nesta linha, a McLaren poderia também ser atingida, caso o acordo anunciado hoje também inclua alguma veiculação da marca.

Mais uma encruzilhada

A Fórmula 1 procura achar uma nova “vaca leiteira”. Após o banimento dos cigarros, a crise das empresas de TI e Internet e do sistema bancário, a categoria namora com o segmento de bebidas e de petróleo (que era uma das principais fontes até a década de 60) nos últimos anos. Mas os níveis de apoio não se igualam e os custos cada vez mais aumentam.

Não à toa, a categoria, na tentativa de criar uma nova imagem, quer trazer novos ramos. Tanto que vem negociando com empresas de apostas (coisa que Bernie Ecclestone não queria), que invadiram o futebol e também vem sofrendo cerco de vários governos por suspeitas de manipulação de resultados.

O reaparecimento das tabaqueiras nesta nova roupagem pode ajudar a curar um pouco as feridas no curto prazo. Mas pode ser apenas uma jogada para ganhar tempo e, ao invés de garantir novas fontes de renda e garantir que a desigualdade entre as equipes se reduzam, pode ajudar a aumenta-las e deixar a categoria cada vez mais à mercê dos humores das montadoras.

A Fórmula 1 atualmente é vítima de seu gigantismo, o tempo segue em frente e a Liberty Media precisa apresentar resultados para garantir o seu futuro e o de uma de suas galinhas de ouro. Mas em tempos de politicamente moderno, vale tudo para garantir o bolso? Até mesmo uma modernidade antiga?

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