O anúncio feito esta semana do acordo entre o grupo FCA e a Sauber, embora não inesperada, foi comemorada pelos fãs (matéria publicada aqui). A volta da Alfa Romeo à Fórmula 1 após 30 anos é muito positiva. Afinal é mais uma marca de tradição nas pistas e também significa um retorno do investimento do grupo em automobilismo. Restrito à Ferrari nos últimos anos. Entretanto, é preciso ver o quadro como todo.

Para a Sauber, o negócio foi bem interessante. A equipe suíça volta a desfrutar do envolvimento com uma grande marca. Consegue um belo know-how técnico, já que se aproveitará não só dos motores Ferrari atualizados (e terão o nome da marca), mas também das soluções desenvolvidas para a “nave-mãe”. Não em um esquema tão profundo como o da Haas, mas deverá ter uma série de peças a disposição. Sem contar se transformar em “porta de entrada” para os pilotos da equipe de Maranello.

Hoje em Milão, houve a apresentação oficial na sede da Alfa Romeo. Charles Leclerc, campeão deste ano da F2 e piloto da Academia Ferrari, foi confirmado como um dos pilotos, ao lado de Marcus Ericsson, piloto das últimas três temporadas e protegido do grupo Longbow. A ressaltar, a presença de Jean Todt (presidente da FIA), Sergio Marchionne (CEO da FCA) e Casey Carey (Liberty Media) no evento.

Alfa Romeo Sauber 2018 : Ericsson e Leclerc (fonte: twitter SauberF1)

Ser satélite da Ferrari não é novidade para a Sauber. A equipe suíça foi por vários anos cliente italiana no fornecimento de motores e câmbios e serviu de guarida para pilotos indicados (Felipe Massa no meio). A coisa chegou a um ponto que o C23 foi acusado de ser um F2002 modificado. A relação foi até 2005, quando a Sauber anunciou o acordo de compra pela BMW. E voltou a bater na porta de Maranello em 2009, com a saída da fábrica bávara da categoria.

Pelo lado mercadológico, o anuncio do acordo foi plenamente lógico. A FCA tem por objetivo posicionar a Alfa Romeo para ser uma concorrente no mesmo nicho de mercado de Audi, BMW e Mercedes. E para isso, tem feito pesados investimentos em sua linha (incluindo o lançamento de uma SUV). A decisão de retornar ao automobilismo de alto nível é mais um passo também para cacifar o grupo diante dos gigantes, pois fez grandes desinvestimentos em esporte (desistiu da NASCAR e dos GTs com a Dodge).

Não é só esporte e marketing

Mas o movimento mais interessante é no tabuleiro político. Quem acompanha a categoria vem acompanhando as mudanças que a Liberty Media vem fazendo na Fórmula 1. A Ferrari vem sendo uma das vozes mais reticentes quanto algumas propostas que os novos donos estão propondo, chegando até a falar em “nascarização da categoria” e ameaçando sair da categoria.

Como disse, é preciso ver além: o movimento feito pela Ferrari mostra que ela quer mais do que nunca ficar e manter seu poder. Pelos atuais acordos válidos até 2020, os italianos tem privilégios comerciais, além de poder de veto. E qualquer mudança hoje exige concordância de todas as partes. Atualmente, a Ferrari conta com a Haas em seu campo por conta do acordo de fornecimento. Com este acordo de “patrocínio”, os italianos agora trazem a Sauber para seu campo de influência.

Embora as duas equipes não façam parte do “Grupo de Estratégia”, a Ferrari acaba por representar 30% do atual grupo de times. E quando de precisa de unanimidade para qualquer mudança, esta quantidade faz diferença. Este é o movimento que importa. Os italianos querem manter a sua influencia. Embora declare que está disposta a sair, mostra que quer continuar na Fórmula 1 e fará o que puder para isso. Aguardemos os próximos capítulos desta briga de cachorro grande.

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