O passado é um prólogo. Nada representa melhor essa frase para o torcedor do Internacional do que pensar nos anos anteriores, nas frustrações e nos sofrimentos passados.

Cada jogo gerava dores de cabeça e agonia: o zagueiro deixava o adversário subir sozinho num escanteio, ou um lateral não voltava para marcar e levava bola nas costas durante os 90 minutos. Gols contra, gols espíritas e aquele 1×0 magro com gol do Vitinho rodada atrás de rodada.

A escalação contava com Paulão, Anselmo, Ariel & Cia; além de uma perceptível falta de qualidade técnica em 80% do plantel, o grupo não transparecia união e vontade de fazer diferente aos olhos do torcedor.

Correram os anos, surgiu o amanhã.

Passo a passo, o Internacional, durante a gestão de “reconstrução” do presidente Marcelo Medeiros, foi criando “corpo”, identidade e mostrando um grupo com gana de fazer a diferença na história tão vasta do Celeiro de Ases.

Apesar do começo difícil na temporada 2018, com a mão mágica de Odair Hellmann a equipe conquistou a torcida e uniu, depois de anos, paixão e apaixonado em um só objetivo: retomar a autoestima do colorado.

Mesmo sem os milagres de Manga, sem a qualidade até hoje elogiada de Gamarra, sem a técnica primorosa e louvável de Falcão na meia cancha e sem o pé sempre calibrado de Carlitos, os comandados de papito conseguiram, contrariando todas as expectativas, chegar fortes no Brasileirão e, durante boa parte do campeonato, disputar o título nacional.

E muita gente se pergunta: qual foi o segredo por trás disso? Dou-me o direito de respondê-los: o grupo.

Grupo colorado após a vitória contra o Fluminense, por 2×0. Foto: Ricardo Duarte

No Internacional de 2018, todo jogador teve o mesmo valor e o mesmo tratamento, do 1 ao 30.

Em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN, Odair Hellmann falou sobre isso:

“Eu aprendi trabalhando em comissão técnica que você tem que dar muito valor ao grupo. Você tem que tratar o jogador igual e o grupo com o mesmo trabalho e a mesma ideia, para que ele se sinta dentro do processo”.

A partir das palavras do técnico, não é difícil pensar em momentos onde o grupo do colorado gaúcho mostrou sua força: O gol do Camilo aos 50 minutos do segundo tempo contra o Paraná; o gol de Rossi aos 46 da etapa complementar diante do Corinthians;as belas atuações do zagueiro Emerson Santos e, claro, as magníficas defesas de Marcelo Lomba, que – após lesão de Danilo Fernandes– assumiu a titularidade do colorado e ontem foi consagrado o melhor goleiro do campeonato.

Do 1 ao 30, todos vestiram o vermelho e branco.

O Internacional entendeu a necessidade de um grupo coeso, onde o todo tenha vontade de fazer a diferença, e isso meus amigos, o elenco desse ano teve de sobra.

Engana-se quem pensa que o craque colorado foi Nico López, Marcelo Lomba, Victor Cuesta ou Rodrigo Dourado, sendo os dois últimos premiados com o troféu Bola de Prata e estando presentes na escalação do Melhores do Brasileirão. O destaque de todos os citados e suas grandes atuações na temporada só servem para ilustrar a força do grupo.

Para um torcedor que passou os últimos dois anos afundado em mediocridades e pesadelos, o plantel colorado de 2018 trouxe um grande respiro de alívio e noites bem dormidas de um sonho do qual ninguém quer acordar. Pelas mãos de Odair, o torcedor reencontrou sua dignidade e sua honra.

Plantel colorado de 2018 e comissão técnica. Foto: Ricardo Duarte

Cada um que entrava sabia o que deveria ser feito e contribuía dando o seu máximo. Nada exprime melhor isso do que a célebre e oportuna frase do vice de futebol Roberto Melo – da qual me faço mais do que satisfeita em declarar aos quatro ventos-, que diz o seguinte: “O CRAQUE DO TIME É O GRUPO!”.

Como conseqüência de todo trabalho e esforço do time do Internacional em conjunto com a torcida colorada, surgiram frutos que devem ser levados a diante. Com a melhor campanha feita por um time voltando da Série B, o colorado acabou o campeonato na terceira posição e disputará em 2019 a Libertadores, após três anos fora.

Torcedor colorado, pode respirar aliviado!

Agora é hora de colher os frutos plantados e esperar que os astros voltem a cintilar nesse céu ultimamente tão azul.

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