Ultimamente a Liberty Media vem “causando” entre os fãs da Formula 1. Seja pela definitiva entrada da categoria mundo das redes sociais, ou mesmo pelas mudanças que quebraram com alguns padrões e preferências que faziam parte da F1.

Na época do tio Bernie Ecclestone as coisas não eram tão diferentes, ou melhor, será que eram?

Antes de tirar conclusões, por que não dar uma volta no tempo, e avaliar como já foi a categoria. Convido você a voltar comigo à 1998. Confesso que para mim não parece fazer tanto tempo assim, mas devo alertar a você leitor que aí já se passaram 20 anos. É o tempo voa…

A Temporada de Fórmula 1 de 1998 foi a 49ª realizada pela FIA. E assim como atualmente, houveram mudanças. Foi a primeira temporada a legalizar somente a utilização de um padrão de motor, sendo esse o V10, hoje considerado velho, antiquado e uma lenda que já se foi. Quem aí não gostava? Eu sou obrigado a confessar que pensei, com muita ingenuidade, que iria levantar sempre aos domingos e ouvir a cada ano um motor mais barulhento, mais agudo, a ponto de fazer tremer o aparelho de TV. #SabeDeNadaInocente dos planos da FIA.

98 marcou também a despedida da fornecedora Goodyear. E por falar em pneus, foi naquele ano que os sliks foram embora e deram lugar aos pneus com sulcos. A intenção era essa mesmo que você pensou: reduzir a velocidade. Segundo a FIA, era preciso ir mais devagar nas curvas, reduzindo a possibilidade de perca do controle do carro, medida de segurança. Seria o Halo dos anos 90?

Já que estamos em clima de lançamentos dos carros para 2018, nada melhor então do que conferir como foi cada apresentação de 1998, e assim ter uma ideia ou relembrar como era à 20 anos atrás. Como diriam naquele programa que apresenta reprises a tarde na TV: Direto do túnel do tempo.

Antes de tudo, aí vai um spoiler, para quem não viu essa temporada no Vale a Pena Ver de Novo. Mika Hakkinen foi campeão e Michael Schumacher foi vice.

Ferrari F300

Terça-feira, 6 de janeiro de 1998
Ferrari F300 de 1998 e ao fundo o novíssimo túnel de vento inaugurado em Maranello (fonte: Ferrari.com)
Ferrari F300 de 1998 e ao fundo o novíssimo túnel de vento inaugurado em Maranello (fonte: Ferrari.com)

A Ferrari revelou o seu novo carro, o F300 Grand Prix, em uma terça-feira em Maranello. Contando com a presença de diretores, a equipe chegou mostrando que tinha bala na agulha e dizendo que não teria desculpas para não ganhar o Campeonato Mundial.

Se não fizermos isso, falharemos em nossos objetivos. Temos a melhor estrutura, uma equipe completa e o melhor piloto do mundo“, disse Luca Montezemolo, presidente da Ferrari na época. O time contava com os pilotos Michael Schumacher e Eddie Irvine, além do piloto de testes Luca Badoer.

Na ocasião também foi anunciada a conclusão de um novo túnel de vento em Maranello. Embora não estivesse já pronto para testes, a equipe esperava que no futuro seria possível, com ajuda dele, reduzir o déficit aerodinâmico.

O F300 foi desenvolvido pelo designer chefe Rory Byrne e pelo diretor técnico Ross Brawn, que se juntou à Ferrari no decorrer de 1997.  O carro vinha alimentado por um novo motor V10, projetado por uma equipe liderada por Paolo Martinelli. Entretanto, Brawn disse esperar que o F300 fosse em torno de três segundos mais lento que os carros de 1997, devido às mudanças de regulamento.

Williams FW20

Quarta-feira, 7 de janeiro de 1998
FW20 acompanhado do campeão de 1997 Jacques Villeneuve e do piloto Heinz-Harald Frentzen (fonte: F1-history DeviantArt)
FW20 acompanhado do campeão de 1997 Jacques Villeneuve e do piloto Heinz-Harald Frentzen (fonte: F1-history DeviantArt)

A equipe Williams optou por revelar a sua nova pintura, patrocinada pela empresa de cigarros Winfield, nos estúdios de filmes Pinewood, fora de Londres. O esquema de cores foi mostrado pela primeira vez em um chassi FW19, que era o carro antigo de 1997.

A pintura logo encontrou muita controvérsia na Austrália, devido a seu esquema no logotipo da Winfield que continha um canguru. Muitos ativistas do país sentiram-se desconfortáveis, alegando que a situação pudesse sugerir que a Austrália apoiava a propaganda de tabaco. O então Ministro da Saúde da Austrália, Michael Wooldridge, criticou a FIA, pela fraca postura ao negociar publicidades ligadas ao tabaco nos eventos de Fórmula 1.

O  carro definitivo de 1998, o FW20, foi lançado somente na última semana de janeiro, dia 28, no Circuito de Silverstone. O FW20 foi projetado e construído para o novo regulamento, que exigia um carro mais estreito em geral, e vinha equipado com um motor Mecachrome, nome dado aos motores “não oficiais” da Renault.

A equipe contava com o piloto, campeão da última temporada, Jacques Villeneuve e Heinz-Harald Frentzen, além dos pilotos de testes Juan Pablo Montoya e Max Wilson.

Stewart SF02

Terça-feira, 13 de janeiro de 1998
SF2 decorado com as tradicionais listras tartã, que sempre acompanharam Jackie Stewart (foto: Wikimedia Commons)

A equipe, Stewart Ford Grand Prix, lançou o seu novo carro, o Stewart SF2, no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Ford, em Dunton, condado de Essex, na Inglaterra.

Jackie Stewart e Paul Stewart foram otimistas sobre as suas perspectivas para a próxima temporada, mas enfatizaram que o segundo ano de uma equipe, geralmente se torna o mais difícil. Eles estavam cautelosamente otimistas sobre as chances, especialmente porque a Cosworth desenvolveu um novo motor, o Zetec-R V10, para a temporada de 1998.

Para esse primeiro momento, a equipe contava com o piloto Rubens Barrichello e Jan Magnussen.

Benetton B198

Quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Alexander Wurz com o 198 (fonte: F1-history DeviantArt)

A Mild Seven Benetton lançou o seu novo carro em Londres, no London Television Centre. A apresentação do B198 coincidiu com o anúncio, de última hora, de uma grande parceria técnica com a Bridgestone, a fabricante de pneus que estava entrando para a sua segunda temporada na F1.

A Bridgestone esperava dessa forma, assegurar uma chance de conseguir a sua primeira vitória na Fórmula 1. Assim como a Benetton, a McLaren havia deixado ainda em dezembro de 1997 a Goodyear, para correr com a Bridgestone. As outras equipes da Bridgestone eram Minardi, Arrows, Stewart Ford e Prost Grand Prix.

Quero que construir consistência este ano com resultados aprimorados, espero pelo sucesso, mas também estou interessado a longo prazo e acredito que podemos estabelecer as bases neste ano, para sustentar o sucesso no futuro”, disse David Richards, diretor executivo da Benetton, durante a apresentação.

A equipe contava com os pilotos Giancarlo Fisichella e Alexander Wurz, levando o B198, equipado com o motor Renault rebatizado de Playlife.

Jordan 198

Segunda-feira, 19 de janeiro de 1998
Jordan com o time completo (fonte: f1 wikia)

A Jordan GP revelou, o Jordan Mugen-Honda 198, no Royal Albert Hall, em Londres. Foi uma grande cerimônia, contando com a apresentação de acrobatas do Cirque du Soleil.

Eddie Jordan expressou o seu otimismo habitual para a temporada, especialmente por ter assegurado os serviços do Campeão Mundial de 1996, Damon Hill.

O novo carro, equipado com o motor V10 Mugen-Honda, foi levado para Barcelona já na terça-feira, dia 20/1/98, e começou o programa de testes.

Além de Damon Hill, a Jordan contava com Ralf Schumacher, e o piloto de testes Pedro De La Rosa.

Prost AP01

Terça-feira, 20 de janeiro de 1998
Alain Prost junto dos pilotos do AP01 (fonte: F1-history DeviantArt)

Alain Prost revelou naquele ano o, AP01, primeiro carro a ser verdadeiramente desenvolvido pela Prost F1. O AP01 usava o novo Peugeot V10, um dos motores mais potentes da F1 no momento.

O que é importante para mim é a forma como pretendemos trabalhar em conjunto para o futuro, tecnicamente e em nível humano… Eu acredito que estamos indo na direção certa“, disse Prost, comentando sobre as perspectivas do carro novo.

Alain Prost ainda aproveitou o lançamento para dar uma “cutucada” em Damon Hill.

Quando perguntado sobre a decisão de Hill de se juntar a Jordan, Prost disse: “Fiquei muito decepcionado – principalmente com a maneira como as coisas aconteceram. Agora eu percebi que teria tido muitas dúvidas sobre a motivação de Damon“.

Sem a cobiçada participação de Hill, a Prost contava com os pilotos Olivier Panis, Jarno Trulli e o piloto de testes Stephane Sarrazin.

Tyrrell 026

Quarta-feira 21 de janeiro de 1998
Toranosuke Takagi pilotando o Tyrrell 026 (fonte: picssr)

O Tyrrell 026 foi revelado no Terence Conran’s Bluebird Restaurant, em Londres. O carro, totalmente novo, era equipado com o motor Ford, e foi construido por uma equipe técnica altamente conceituada, sob a direção de Harvey Postlethwaite, engenheiro britânico.

A Tyrrell decidiu fazer o uso das X-Wings, (pequenas asas acima das laterais do carro) que revelaram-se eficazes em circuitos que exigiam níveis mais altos de downforce.

Durante o lançamento o fundador Ken Tyrrell  disse: “Pretendemos vir com força total este ano, então colocamos tudo em aerodinâmica no carro. Estamos querendo lugares no pódio e pensamos que temos o carro para obter alguns“.

A Tyrrell na ocasião ainda não havia confirmado seu segundo piloto, que se juntaria ao já confirmado Toranosuke Takagi. O chefão Ken Tyrrell esperava assinar com uma das opções entre: Norberto Fontana, Ricardo Rosset, Vincenzo Sospiri e Andrea Montermini.

Sauber C17

Quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
Sauber C17 (fonte: Sauber F1 Team)

A Sauber também optou por lançar o seu novo carro na quarta-feira, e apresentou o Petronas C17 na Ópera de Viena.

Para a semana seguinte, o time já tinha marcado um teste em Fiorano, na Itália. A escolha pela casa da Ferrari, aconteceu pelo motivo da Sauber usar os motores V10 dos italianos, rebatizados com o nome de Sauber-Petronas. O C17 foi desenvolvido pela equipe de engenheiros de Leo Ress, em Hinwil na Suiça.

Houveram rumores circulando, nos meses anteriores ao lançamento, de que o ex-piloto Gerhard Berger tivesse algum papel para desenvolver na Sauber. Berger foi um visitante inesperado no dia da apresentação, mas apesar disso, não houve nenhum anuncio oficial.

A equipe suíça tinha Jean Alesi e Johnny Herbert na tarefa de guiar o C17, e Jorg Muller para os testes.

McLaren MP4-13

Quinta-feira, 5 de fevereiro de 1998
McLaren na cor laranja em que foi apresentada, e ao lado os carros nas cores prata definitiva (fonte: F1technical)

O MP4-13 foi lançado na sede da McLaren em Woking, e veio em uma pintura provisória em laranja, cor tradicional da equipe. As cores cinzenta e vermelha, definitivas, só foram reveladas em Barcelona, no dia 16 de fevereiro.

O mais recente MP4 da família McLaren, assim como o novo carro da Williams, era semelhante em algumas características de aerodinâmica de modelos anteriores. Mas apesar dessa primeira impressão, a evolução era evidente. A preparadora ILMOR Engineering era quem estava desenvolvendo o motor para a McLaren de 1998, e isso já causava preocupação entre a concorrência. Todos concordavam que o motor Mercedes, que equipava o MP4-13, era um dos mais fortes da F1.

A chegada de Adrian Newey à McLaren, vindo da Williams, também foi uma indicação do ressurgimento da equipe.

No comando do novo carro estavam David Coulthard e Mika Häkkinen, além de Ricardo Zonta e Nick Heidfeld, na função de piloto de testes.

Arrows A19

Terça-feira, 17 de fevereiro de 1998
Pedro Diniz com o A19 (fonte: F1-history DeviantArt)
Pedro Diniz com o A19 (fonte: F1-history DeviantArt)

A equipe Arrows fez o seu lançamento, para a temporada de 1998, na sua base localizada em Leafield, condado inglês de Oxfordshire. Para a surpresa de todos, o carro foi revelado em um preto brilhante com decalques de patrocinadores em branco.

O esquema de pintura, do recém apresentado Arrows A19, causou grande preocupação à TWR (parceira de desenvolvimento). O motivo foi um acordo de patrocínio, quebrado de última hora, que teria feito o carro ser apresentado em uma cor muito mais brilhante e notável. O time também decidiu não usar o British Racing Green (o tradicional verde escuro de competição) no entretanto, já se especulava que as corres poderiam mudar novamente no início da temporada.

O A19 vinha equipado com o motor Hart, graças a compra da empresa de Brian Hart, por parte do diretor da Arrows, Tom Walkinshaw.

A equipe contava com os pilotos Pedro Paulo Diniz e Mika Salo. A cargo dos testes estavam Emmanuel Collard e Stephen Watson.

Minardi M198

Segunda-feira, 23 de fevereiro de 1998
Apresentação do M198  em 1998 (fonte: F1-history DeviantArt)
Apresentação do M198 em 1998 (fonte: F1-history DeviantArt)

A Minardi foi a última equipe a desvendar o carro, e com grande atraso em vários aspectos.

O lançamento do novo Minardi M198, movido pelo V10 da Ford, foi realizado em Bolonha. Os dois pilotos da equipe, Esteban Tuero e Shinji Nakano marcaram presença na ocasião, afim de acabar com as dúvidas de quem iria guiar na temporada.

Dias antes, a equipe anunciou que tinha sido forçada a liberar o brasileiro Tarso Marques. Mas o real motivo teria sido a chance de contratar um piloto com mais experiência e maior aporte financeiro. Os nomes que eram mais cotados na época incluíam: Jos Verstappen, Tom Kristensen, Laurent Redon e o ganhador da vaga Shinji Nakano.

E aí, o que você achou dessa viagem na F1 de 20 anos atrás?

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17 COMENTÁRIOS

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